segunda-feira, 27 de junho de 2016

SANDMAN - PRELÚDIOS E NOTURNOS



Passamos um terço de nossa vida dormindo,  o que já era para nós deixar familiarizados com o sono, mas o mundo dos sonhos sempre foi um mistério fascinante que já inspirou diversas histórias, filmes e até jogos de azar, como o jogo do bicho (uma vizinha me disse que ao sonhar com cabelo eu poderia jogar no avestruz). Nos filmes que o final “foi tudo um sonho” se tornou um tema batido e frustrante. Trabalhar com o sonho em si já é outra história, como o ótimo filme “A Origem”, com Leonardo Di Caprio. Quando estamos pegando no sono sentimos como se tivessem areia em nossos olhos, segundo contos fantásticos antigos isso ocorre porque Sandman (Homem Areia) vai até sua cama e derruba areia em seus olhos para que você consiga dormir. Na animação “A Origem dos guardiõesSandman é retratada como um simpático “gordinho”, muito diferente do Sandman que vamos tratar aqui.


Sandman é um personagem antigo da DC Comics que participou da Sociedade da Justiça, junto com Starman e Espectro. Seu nome era Wesley Dodds e possuía uma mascara de gás que o ajudava a não inalar o sonífero que ele disparava com sua pistola para adormecer os criminosos. Após décadas de idas e vindas o personagem nunca alcançou um reconhecimento quanto outros heróis da editora DC, e foi solicitado ao autor inglês Neil Gaiman para trabalhar com o personagem para o selo Vertigo, onde a DC tinha uma linha de revistas que abordavam temas adultos (de grande sucesso por sinal). Gaiman optou por não alterar o personagem e criar um novo, Lorde Morpheus, o Senhor dos Sonhos. Lançado em 1988, Sandman se tornou um grande sucesso, que agradou os leitores e a critica e ajudou o autor a demonstrar sua criatividade ao mundo.

Morpheus é um dos sete Perpétuos (Destino, Delírio, Destruição, Desespero, Desejo, Morte e Sonho – no original todos começam com a letra D, com Death e Dream), seres que existem desde o inicio do universo, responsáveis pelo seu determinado reino. Buscando a vida eterna, em 1916 um mago tenta aprisionar a Morte, mas é Morpheus que é aprisionado em uma redoma de vidro. Um revezamento de vigias era feito para que nenhum dormisse, evitando que ele escapasse. Mas com muita paciência ele espera até algum deles cair no sono, o que levou 70 anos.


Nesse tempo o reino do Sonhar se transformou, ficando em decadência. Os sonhos que o habitavam faziam o que podiam, mas pesadelos fugiam e, no mundo dos humanos, muitas pessoas sofreram as consequências, como dormir acordado, coma profundo, entre outros. Os principais habitantes do reino são Cain e Abel, num circulo de assassinato e renascimento eterno, e Lucien, o braço direito do Senhor dos Sonhos. Foi nesse período de aprisionamento que Wesley Dodds agiu, e que também surgiu o vilão Destino, inimigo da Liga da Justiça, que por intermédio de um rubi mágico (esse vilão teve um episódio de duas partes no desenho da Liga da Justiça, onde o Batman teve que estacionar o Batmovel em frente de uma lanchonete para pedir um café triplo para não dormir e derrotar o vilão).  Após retornar ao seu reino e se deparar com todos os males que sua ausência causou, Morpheus tem que reaver os três objetos perdidos que lhe pertenciam, seu elmo, sua algibeira (com areia do sono) e o rubi que continha a essência de seus poderes. Ele desce ao Inferno, encontra-se com John Cosntantine e o demônio Etrigan, deparasse com o próprio Lúcifer, e até com o Sandman da era de ouro.


Mas é com John Dee, o homem por trás do vilão Destino, que temos um dos capítulos mais legais dessa história. Com o rubi, ele tinha o poder de entrar nos sonhos das pessoas e fazer o que queria, mesmo sendo retratado aqui como um homem alquebrado e horrendo, foi capaz de fazer pessoas cometeram atos genocidas. Em uma lanchonete ele interage com outras pessoas que agem de maneiras surpreendentes, até seu confronto final com Morpheus. Gaiman trata de drogas, medo social, morte e, logicamente sonhos, em seu estado mais puro. O personagem principal, com cabelos esvoaçantes, magro, pele branca, olhos totalmente negros, alcançou um reconhecimento nunca antes alcançado pelo Sandman original, mas também ele não é um simples herói (longe disso), mas sim uma entidade. Esse mundo onírico deu pano para manga e rendeu 75 edições, todas com capas do artista Dave MCKean (de Batman: Asilo Arkhan e Coraline), mas foi com essas 8 primeiras HQs, que compõe Prelúdios e Noturnos, que Morpheus fisgou os leitores e rendeu à linha Vertigo da DC Comics o reconhecimento de publicar histórias com alto teor de qualidade.



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