quarta-feira, 29 de junho de 2016

OLD BOY


Não esperava nada desse filme, assisti mais por ele constar em uma lista de bons filmes e até deixei ele para assistir por último. Foi bom assistir desta forma, pois fui surpreendido e ainda fechei a lista com chave de ouro. Um dos melhores filmes asiáticos que já assisti. Baseado em um mangá lançado no Japão com duração de 1996 a 1998 que totalizaram oito volumes. Em 2003 o diretor sul coreano Park Chan-wook adapta o mangá, onde Choi Min-sik (o vilão do filme Lucy, estrelado por Scarlett Johansson) interpreta o protagonista e tem aqui o personagem de sua vida.

Após ser detido devido a um porre fenomenal, Dae-su (nosso protagonista) é solto apenas para desaparecer logo em seguida. Dae-su é sequestrado e aprisionado no que parece ser um quarto de hotel sem janelas e sem comunicação com o exterior. Nada é lhe dito ou explicado de porque ele estar ali. Ele não tem a mínima ideia do que está acontecendo, ou quem são seus captores e em seu “presídio” ele tem apenas um banheiro e uma velha TV que lhe serve para ter acesso às mudanças do mundo enquanto ele se encontra enclausurado. Sua comida, suas roupas e até cuidados médicos lhe eram ministrados por seus raptores apenas após ele dormir por intermédio de gases soníferos que eram lançados em seu quarto. Isso ocorre por 15 anos, onde ele sofre os mais diversos delírios, alterações de personalidade e ficando quase louco. Até que um dia ele é solto, da mesma forma que foi preso, sem nenhuma explicação ou contato com alguém.


Depois de liberto ele planeja sua vingança. Primeiro ele tem que descobrir quem o raptou, depois tentará entender o motivo de ele ter sido separado não apenas de sua família e amigos, mas também de qualquer convívio social. Mas as coisas se complicam quando ele descobre que é suspeito de um homicídio que ocorreu em seu cativeiro, sem poder explicar por onde ele estive durante os 15 anos passados, uma vez que nem ele sabia. Eis que ele conhece a cozinheira Mi-do, que irá ajudá-lo a desvendar esse mistério (ou tentar).

O filme te lança no mistério desde o começo e você faz as mesmas perguntas que Dae-su. É sim uma daquelas tramas que te fazem querer chegar ao fim logo para desvendar o mistério e quando você chega ao fim você realmente assisti a um final condizente com todo o filme. O final não fica devendo nada ao que lhe foi mostrado até então e você termina o filme com um sentimento de ter gasto quase duas horas com algo que valeu a pena. Dae-su não é um galã, pelo contrário, é feio pra caramba, o que faz esse filme coreano se diferenciar das obras Hollywoodinas, onde o mocinho parece ter sido escolhido a dedo pelos deuses para fazer parte da trama. Aqui pode ser qualquer um.


Dae-su é o típico homem que não tem nada a perder, por isso as cenas de luta (em especial a do corredor com o martelo) demonstram que ele não é muito bom de briga, mas sua persistência e força de vontade, típicas de quem não tem medo de morrer, demonstram que o único sentimento que guia seus movimentos é a vingança e a vontade de descobrir o que aconteceu e até a achar um motivo para seu sofrimento, que faça valer a penas ter passado numa solitária por 15 anos. Há cenas violentas, de sofrimento e muita ação, além do mistério, é claro. Um filmão. Tem uma versão americana, com Josh Brolin, mas a original é muito superior.