terça-feira, 7 de junho de 2016

NAS MONTANHAS DA LOUCURA



Para o grande escritor H. P. Lovecraft o passado é mais amedrontador do que o futuro. Enquanto o futuro é desconhecido, por motivos óbvios, temos em mente que tudo será entendido e acompanhado, mas o passado é desconhecido e misterioso e não teremos a chance de acompanhar jamais, e temos que nos contentar em estudar e imaginar o que aconteceu. Esse desconhecido é fonte de vários mitos e correntes teóricas e, infelizmente para os fãs de Lovecraft, sua teoria não é lá muito bonita.

Lovecraft, em seus desvarios imaginativos, mostrou sua teoria dos seres ancestrais que povoavam o mundo bem antes da humanidade surgir. Seres que se encontram adormecidos, a espera de um cataclismo que o desperte, tem o monstro Cthulhu um de seus mais honorários membros.  Mas quem achou que essa história terminaria com O chamado de Cthulhu (para saber mais, clique aqui) está enganado. Há uma coleção enorme de textos e contos sobre esses deuses antigos, monstros e demônios abismais, que tornam o Mito do Cthulhu um extenso e rico mundo imaginário. Em Nas Montanhas da Loucura somos levados às paragens geladas da Antártida onde uma expedição cientifica tem a tarefa de estudar as rochas e solos da região. O grupo acaba encontrado em meio as geleiras alguns elementos estranhos tão antigos que parecia impossíveis de estarem lá a tanto tempo. Embrenhando-se nas passagens subterrâneas, o grupo acaba se defrontando com elementos desse mito misterioso.


Acabam descobrindo uma cidade gigantesca com varias passagens, com diversas inscrições em dialeto desconhecido e após encontrarem esqueletos de criaturas totalmente desconhecidas (homúnculos de anatomia estranha) fica evidente se tratar de uma cultura milenar e alienígena. A curiosidade dos participantes dessa expedição não foge à regra das vitimas das histórias de terror, que parecem esquecer o perigo que as ronda e continuam a adentrar o ambiente misterioso. Nos filmes de terror o suspense pode atingir facilmente o telespectador, mas Lovecraft consegue sustentar o suspense no livro com maestria e você se sente como desbravadores do desconhecido no livro, mesmo sabendo que alguma coisa estava estranha, o fascínio perante o mistério é maior que o pavor da descoberta de algo horrendo.

A cidade subterrânea não fica devendo em nada comparada à estranheza da gigantesca ilha de O chamado de Cthulhu, e estar de frente à terrível criatura descrita pelo autor nos faz entender porque muitos escritores utilizam sua obra como fonte de inspiração e até dão continuidade ao Mito do Cthulhu com novas histórias. Alan Moore já utilizou esse mito em HQs como em Neonomicon e Providence, Mike Mignola coloca Hellboy num universo cheio de criaturas Lovecreftianas (seus desenhos casam muito bem com a obra do autor), e o diretor Guilhermo Del Toro (de O Labirinto do Fauno – clique aqui) já demostrou ser fã do autor, sendo que sua influencia pode ser percebida em seus filmes e já esteve em negociação para filmar Nas Montanhas da Loucura, mas infelizmente, e bota infelicidade nisso, não saiu do papel.


Veja mais H. P. Lovecraft:

O CHAMADO DE CTHULHU