quinta-feira, 23 de junho de 2016

MARCO POLO


Uma série muito legal do Netflix, que não poupou esforços em sua produção para ambientar seu elenco na corte mongol do século XIII. Tendo figuras históricas como personagens principais, sua trama é romanceada e de quebra podemos aprender mais sobre essa época de descobrimento e miscigenação cultural. Para quem gosta da cultura oriental e não liga para cenas de nudez e sexo, podem se agraciar com a aventura do lendário explorador Marco Polo, figura que teve as mais fantásticas aventuras, que por sinal mudaram a relação do oriente com o ocidente.

O neto do grande imperador mongol Gengis Khan, Kublai Khan, está em guerra contra o império chinês governado pela Dinastia Song, onde uma impenetrável muralha é motivo de orgulho do chanceler chinês Jia Sidao. Quando três exploradores venezianos são capturados e levados a presença de Kublai Khan, o rei aprecia a maneira como Marco Polo, o jovem filho do chefe da expedição, vê seu reino. Em troca de poder explorar a Rota da Seda, área governada pelos mongóis, o chefe entrega o seu filho ao Khan, que o aceita como um hóspede.


Sempre que necessário Marco Polo era chamado à sala do trono para dar sua visão dos fatos que ocorrem no reino, uma vez que Kublai é cuidadoso e prefere enxergar um caminho de todas as formas que conseguir em especial a de um latino. Mas Marco Polo pisa em ovos, uma vez que essa união com o rei não é bem vista pelo príncipe e futuro sucessor ao trono, e também aos demais conselheiros, que possuem outras nacionalidades. Marco Polo se mostra inteligente e não raras as vezes que sua maneira de falar e agir se sobressai aos demais, lhe rendendo vários inimigos, ainda mais quando ele se apaixona por uma princesa prisioneira de um reino conquistado.


Além da caracterização do reino, que consegue demonstrar onde foram gastos os 90 milhões do investimento na série, o elenco secundário se sobressai ao nosso protagonista. Kublai Khan consegue ser engraçado é carismático, na mesma medida que impõe respeito. Em alguns momentos não sabemos quais medidas ele irá tomar, se vai ser benevolente ou se entregar a selvageria. Capaz de tomar atos difíceis, como o que fez com o próprio irmão, é uma figura histórica que tem o grande peso de Gengis Khan em seus ombros. Outra figura histórica que chama muito a atenção é o chanceler Jia Sidao (interpretado por Chin Han, o chinês raptado pelo Batman em O Cavaleiro das trevas), um homem frio e realmente mau, experiente na arte marcial que explora os movimentos do Louva Deus, tendo vários desses insetos como animais de estimação, lhe rendendo a alcunha de Ministro Grilo. Outro grande personagem é a irmã do chanceler, a meretriz Mei Lin, que é enviada a corte mongol secretamente para assassinar o Khan. Seu desempenho nu em várias cenas, em especial a em que luta, rendeu muitos comentários. Ela chegou a repetir essa cena em um evento, mas estava vestida, é claro. Depois desses, a participação de Lorenzo Richelmy como Marco Polo fica um pouco apagada.

Mas é o monge cego Cem Olhos que cativa o público. Incumbido de treinar Polo nas artes marciais, uma amizade vai se formando entre os dois, e tal afeto só é entendido quando assistimos ao especial da série lançada em 2015, focada apenas no monge. Enquanto no lado mal temos Sidao como  principal antagonista, não é Marco Polo que demonstra ser um oponente a altura, e sim Cem Olhos. A segunda temporada estreia esse ano, e espero ver o amadurecimento do protagonista e entender o porquê dele ser conhecido como um dos maiores aventureiro de todos os tempos.