terça-feira, 21 de junho de 2016

ERAM OS DEUSES ASTRONAUTAS?



Erich Von Däniken era um charlatão, isso não pode se discutir. Na época em que escreveu o famoso livro Eram os deuses astronautas, ele estava sendo processado por falsificação, peculato, fraude e chegou a cumprir um ano de prisão. Conseguiu pagar algumas dívidas com o lucro que teve após a venda de seus livros, mas muitos anos depois confirmou que vários fatos apresentados foram inventados e algumas fotos foram retocadas para comprovar a veracidade de suas palavras. Prefiro informar isso antes de falar de seu livro para que não gere discussão quanto às suas teorias, onde se mistura realidade com ficção e são nos apresentados como fatos confirmados com visitas e provas que foram forjadas. Nem tudo que não conseguimos explicar sobre nosso passado é algo extraordinário.

Mas como um homem com um passado desse poderia fazer tantas pessoas acreditarem e até ratificarem suas teorias? Däniken se valeu de questões universais quanto ao nosso passado, que já renderam milhões de discussões e teorias, para fisgar os leitores. Um homem muito inteligente, diga-se de passagem, que conseguiu conquistar com suas ideias milhares de pessoas, mas foi rechaçado pela comunidade cientifica, o que ajudou a propagar ainda mais a sua ideologia dos deuses extraterrestres. Apenas o fato de lançar um livro e intitular como estudo teórico já é o suficiente para que a grande maioria acredite no que está lendo. Muita gente se nega a acreditar que os grandes blocos que formam as pirâmides do Egito foram carregados por humanos e atestam se tratar de uma construção impossível para a época, já outros veem na teoria da evolução de Darwin uma verdade, mas que esbarra na falta de um elo perdido para responder dúvidas como: por que os macacos não continuam evoluindo?


Evoluímos dos primatas (desculpem aqueles que acreditam na criação espontânea e divina), e nessa evolução, de uma hora para outra, o Neandertal se torna homo sapiens. Como isso ocorreu? Onde está o elo dessa transformação? Däniken não foi o primeiro a formular uma teoria que explique essa lacuna, mas seu livro fez essa ideia ser debatida mundo afora. Em uma época remota no passado fomos visitados por extraterrestres, seres muito mais evoluídos que nossos antepassados, e teriam tido filhos com eles, gerando a espécie humana. O autor reforça sua teoria com pinturas rupestres, onde podem ser identificados humanos com capacetes ou pilotando estranhos veículos que mais parecem a cabine de uma espaçonave.

As Linhas de Nasca, desenhos gigantescos feitos no solo e encontrados no sul do Peru, que só podem ser vistas do alto, foram descobertas após as viagens aéreas percorrerem a região. Feitas por volta de 400 a 650 a.C. poderiam ter seus vários significados (alguns são animais, como macaco e aranha, e outros são desenhos geométricos). Como não podiam ser vistos de cima na época em que foram feitos, teriam sido feitas segundo instruções de extraterrestres, uma vez que só eles teriam condições de visualizar o desenho como vemos hoje. Para estudiosos eram uma forma cultural do antigo povo Nasca de serem vistos pelos deuses em que acreditavam. Essa e outras tantas observações feitas no livro (construção das pirâmides, Ilha de Pascoa, etc.), todas amplamente refutadas pela comunidade cientifica, mas que causam certo fascínio.



No livro os visitantes intergalácticos não são chamados necessariamente de extraterrestres, mas sim astronautas, como fruto de viagens espaciais feitas por nós mesmos no futuro, onde no retorno, os astronautas encontram a humanidade no limiar de sua evolução. Passagens da Bíblia são utilizadas como explicação a esse evento. Nossa tecnologia atual nos dá uma sensação de paraíso em comparação ao mundo encontrado pelos astronautas, vistos como anjos pela população da época, devido a sua evolução intelectual, daí o famoso Édem bíblico. Ao passar seus conhecimentos a essa espécie subdesenvolvida, muitas ideias foram futuramente incutidas na mente de nossos antepassados, como a crença na vida após a morte (faraós mumificados após a morte aguardando a vida eterna), ou até a crença de seres espaciais, sempre com algum monumento lingado geograficamente e geometricamente apontando para uma determinada estrela.

Muitos filmes e livros utilizaram essa ideia como base em seus roteiros, desde Indiana Jones à Prometheus, mas da mesma maneira que o livro conseguiu levar essa teoria aos quatro cantos do mundo e gerada varias discussões superficiais, quando o estudo é aprofundado, o livro acaba mais atrapalhando que ajudando, transformando o assunto em piada e dando descrédito a quem realmente acredita que o elo perdido não é desse planeta. Eu acredito na teoria, mas não posso utilizar a analise do livro como comprovação. Um dia iremos saber.