domingo, 5 de junho de 2016

CARL BARKS - O HOMEM DOS PATOS


Aprendi a ler com a ajuda da Turma da Mônica, mas comecei a me interessar por livros de ficção e aventura após conhecer os quadrinhos da Disney, em especial do Pato Donald e do Tio Patinhas. Às vezes algumas histórias inseridas na revista seguiam um roteiro e desenho semelhante e só depois que cresci descobri que eram reedições de histórias desenhadas e escritas por um lendário e grande mestre dos quadrinhos: Carl Barks.

Barks deu uma nova direção para as aventuras de Donald e companhia. O que era antes umas histórias de humor, devido às atrapalhadas do pato rabugento, acabou sendo adicionados às histórias elementos elaborados, dando ainda mais consistência às características dos personagens. A revista de Donald tinha 10 páginas, e nessas poucas páginas fomos apresentados a uma cidade, Patópolis, onde Donald sempre tentava arrumar um emprego diferente e se dando mal (parecia o Seu Madruga). Seus sobrinhos já viviam com ele (Walt Disney evitava a utilização de parentesco paternal devido a varias implicações negativas que isso poderia causar nos jovens leitores – desrespeito aos pais, sexo entre pai e mãe e nascimento – por isso era tio para lá e tia para cá). Diferente dos sobrinhos dos desenhos, umas pestes, os três sobrinhos dos quadrinhos de Barks eram verdadeiros escoteiros mirins, capazes de atos honráveis e corajosos, sempre seguindo o manual dos escoteiros (saiu até uma coleção de livros intitulada Manual de Escoteiro Mirim com varias curiosidades e ensinamentos para as crianças, fez muito sucesso e parece que será relançado em 2016). O próprio Donald é tratado diferente, menos histérico e mais sociável, não que ele esteja totalmente diferente, mas por se tratar de outra mídia ele teve seu temperamento suavizado.


Logicamente essas novas histórias fizeram um grande sucesso e Barks se tornou uma referência. Donald não mais brigava com esquilos, mas era levado a lugares diferentes e até correndo perigo. Para interagir com o pato, o desenhista criou o irritado vizinho Silva, que vivia em guerra com Donald. O azar de Donald já era conhecido por muitos, mas Barks tinha que criar um primo super sortudo para intensificar esse azar, e Gastão, o ganso mais sortudo do mundo, se tornou um grande rival. Até com a relação de Donald e sua namorada Barks mexeu, e parecia que Margarida dava mais trabalho que amor para o pato azarado.  Parecia que o desenhista tinha muito a oferecer e a Disney aproveitou esse talento e Já com o apelido de o Homem dos Patos, ele se inspirou no livro Um conto de natal de Charles Dickens, onde o sovina Ebenezer Scrooge recebe a visita dos espíritos natalinos e cria Uncle Scrooge, o carismático Tio Patinhas. O pato mais rico do mundo resolve todos os seus problemas gastando o mínimo possível, com sua enorme caixa forte com dezenas de metros cúbitos de dinheiro (quaquilhões), onde sua moedinha da sorte – a nº 1 – tem um lugar de destaque. Com sua cartola, bengala e suíças, Patinhas escalava Donald e sobrinhos para acompanha-lo até os quatro cantos do mundo e lugares secretos e exóticos em busca de tesouros ou para salvar algum negócio especifico. Dentre ruínas até o fundo do mar, as aventuras de Patinhas serviram de inspiração para o Indiana Jones e foram adaptada para o desenho dos Duck Tales (quer saber mais sobre esse nostálgico desenho, clique aqui).


As histórias do Tio Patinhas tinham mais páginas, e com o tempo foram criados novos personagens, para desespero de Patinhas. OS Irmãos Metralha não mediam esforços para invadir a famosa caixa forte, já a feiticeira Maga Patalogika tinha a moedinha da sorte como objetivo. Pão Duro MacMoney travava uma corrida para saber quem era mais rio ou mais sovina. O Professor Pardal também foi criação de Barks.

Tio Patinhas foi ganhando muitos fãs e sua origem, como mineiro em Klondike e sua corrida para ficar rico, foi contada como lembrança do velho pato. Lá ele conheceu o grande amor de sua vida, Dora Cintilante. A maneira como ele ganhou a moeda numero um e a briga que ele teve no Saloon de Klondike para defender seu ouro se tornaram cenas clássicas, como a que ele se aventura com seus sobrinhos no Oceano e encontra o navio Holandês Voador. Suas pinturas, ilustrando essas aventuras, são itens altamente reconhecíveis.


Em suas varias entrevistas, o criador defendeu suas tese de que a herança do pato mais rico do mundo iria para os sobrinhos Donald e Gastão, mas anos depois mudou de ideia e ele incluiu também os três sobrinhos na partilha. A partir daí, levantar a árvore genealógica da família Pato se tornou uma cruzada para estudiosos da Disney, em especial saber quem é a mãe de Huguinho, Luizinho e Zezinho e por que eles estão com o Donald. Barks nunca entrou nesse mérito, e as aventuras de Donald e Tio Patinhas aconteciam em diversas partes do mundo, com detalhes culturais que nos faziam imaginar o trabalho de pesquisa que o autor fazia.

Ele recebia muitas cartas dos fãs, e se tornou muito popular sendo considerado um dos maiores artistas que já passaram pela Disney. Seu trabalho era reverenciado por Will Eisner, Steven Spielberg e até Tim Burton. Foi um dos primeiros artistas a ganhar um Premio Esiner honorário e sua contribuição para as histórias em quadrinhos é incomparável.