quarta-feira, 1 de junho de 2016

APOCALYPTO


Mel Gibson ficou muito conhecido nos anos 80 devido à franquia Maquina Mortífera e Mad Max e filmes de sucesso nos anos 90 como Coração Valente e O Homem sem face, mas nos anos 2000 ele se interessou mais em dirigir alcoolizado e realizar produções cinematográficas com alto teor realístico e violento, que gerou muita polêmica. Logicamente o filme A Paixão de Cristo tomou um lugar de destaque nessas polemicas, um filme que mostrou os últimos momentos de Jesus da Santa Ceia a sua Crucificação, com cenas de tortura e espancamento nunca mostrado em um filme sobre a vida de Cristo. Não que isso tenha sido intensificado no longa, uma vez que deve ter sido bem pior na época, mas a crítica caiu em cima devido ao filme focar muito nisso. Jesus apanhava mais que o boneco do Judas em sexta feira santa, e o filme gerou mais curiosidade do que admiração, desafiando o filme posterior de Gibson, para que seja ainda melhor.


Em Apocalypito a violência e o realismo continua o mesmo, e a didática de utilizar a língua de época também foi usada nesse filme (em A Paixão de Cristo o elenco falou apenas em aramaico). Falado totalmente em dialeto Maia, Apocalypito é um filme às vezes difícil de assistir devido a sanguinolência e mutilações, mas as imagens são mais fascinantes que nojentas, tudo isso em meio as matas  selvagens e no realista e impressionante império Maia. Um épico de guerra entre tribos, perseguição de tirar o folego e suspense angustiante.

Jaguar Paw é um membro de uma tribo situada na América Central, que vivem em comunidade e em relativa paz, caçando para se alimentarem e conhecendo a mata que os cerca. Mas tudo muda quando a tribo é invadida por guerreiros desconhecidos, mulheres são escravizadas e mortas e alguns homens são mantidos vivos e levados acorrentados para uma cidade Maia para serem sacrificados ao Deus Sol. Como se um paraíso se tronasse um inferno de uma hora para outra. O meio ambiente, no primeiro momento, é também um inimigo e a geografia do percurso da tribo até a cidade maia é o maior desafio do grupo escravizado e seus captores. Correntezas e precipícios são entreves que irão gerar momentos de dor, enquanto a figura respeitada e amedrontadora do chefe Zero Wolf se trona impassível nessa travessia, o odioso soldado Middle Eye não poupa esforços de  gerar sofrimento em seus escravos durante o trajeto.


Antes de chegar ao destino uma garota com doença contagiosa faz uma premonição agourenta para o grupo de soldados após ser afastada bruscamente por eles. Ao chegar à cidade maia o espectador parece ter as mesmas sensações dos prisioneiros. Um mundo diferente, onde a civilização começava a dar seus passos, mas ao lado da selvageria e adoração. A cidade maia é linda e ao mesmo tempo não queremos estar lá. O figurino, a maquiagem (indicada ao Óscar), o cenário, a relação entre as pessoas, as ações dos personagens, tudo tem um toque tão realista que parece termos voltado no tempo e conseguido as imagens de uma época distante conhecida apenas em livros. Encaminhados a grande pirâmide do sacrifício, os prisioneiros aguardam seu fim. Numa situação muito difícil de compreender, um a um vai esperando sua vez de ser decapitado ao Deus Sol. Imagine ser o próximo da fila, vendo seu conhecido e amigo ter sua cabeça decepada, e seu corpo rolando escadaria abaixo, sendo recolhido por canibais na base da cidade.

A segunda parte do filme trata da fuga de Jaguar Paw pela mesma rota difícil até sua tribo, sendo perseguido pelos guerreiros que farão de tudo para recaptura-lo. Essa perseguição gera uma expectativa sem tamanho, nos fazendo torcer por Jaguar Paw em todos os instantes, ainda mais por sabermos que sua mulher gravida o espera, junto com seu filho mais novo, em um buraco que pode ser inundado. Enquanto foge, Jaguar reza aos deuses em que acredita, para que não chova. O tempo é primordial, mas os perigos e a força dos perseguidores são implacáveis. Um exercício legal para o expectador é identificar as premonições da menina doente de acordo com o desenrolar da trama. Difícil mesmo é imaginar como essas cenas foram filmadas. Um filmaço (desculpe para quem assistiu e não gostou).