domingo, 22 de maio de 2016

SHADOW OF THE COLOSSUS


Muitas pessoas lembram com carinho dos games que já jogaram em sua vida. Alguns foram bem marcantes, facilmente lembrados pelos vários fãs espalhados pelo mundo. Dentre esses jogos há um em especial, com jogabilidade e história diferenciada, que exige não apenas a paciência do jogador, como também nervos de aço, precisão, boa vontade, dedução, inteligência e por fim frieza para aguentar remorso e pena. Trata-se de Shadow of the Colossus. Para mim o melhor game já feito, para outros uma ótima experiência.

Talvez por eu ser da geração “Caverna do Dragão” ou pelo jogo te induzir a ter sentimentos conflitantes, a história te joga numa aventura solitária e sem nenhuma explicação. Você se sente como o personagem principal e não há tutorial algum.  Não há sustos no caminho, a ação é lenta e o mistério na história permanece após a conclusão do jogo, gerando muita especulação e trabalho de pesquisa, deixando aquele gosto de quero mais. Produzido pela Sony para o PS2 e lançado em 2005, ganhou vários prêmios e fez um enorme sucesso.


Começa com o jovem Wander atravessando uma enorme ponte e adentrando num território chamado de Terra Proibida. Em sua égua chamada Agro também carrega uma garota desfalecida e próxima a ponte está o Templo da Adoração, onde Wander deita sua amada num altar e uma entidade chamada Dormin lhe dá uma missão para que ele reviva a garota. Wander deve destruir os 16 Colossos espalhados no vasto território em que estão. Apenas com sua égua e suas poucas armas ele parte em busca desses gigantes, alguns estão muito longe de onde ele está, tendo que atravessar pontes, lagos, escalar montanhas e estruturas, entrar em cavernas, encontrar passagens escondidas, tudo isso com a ajuda de sua espada que indica o caminho com a ajuda do reflexo do sol (um mapa geral é mostrado, mas mais atrapalha que ajuda). O terreno muda de campo para pântano, deserto para floresta e muitas estruturas e ruínas são encontradas, evidenciando que a Terra Proibida era largamente habitada, mas que devido a algum problema no passado ela se tornou inabitada.


Você começa a se afeiçoar à sua montaria e única companhia. Em algumas regiões fica impossibilitado de prosseguir com Agro, que fica fielmente te esperando quando retornar, até uma fatídica cena perto do fim do game, que pode te fazer até chorar.

Quando você encontra o primeiro Colosso a imagem é impactante, te fazendo temer e imaginar como você conseguirá matar aquele ser enorme sozinho. Cada Colosso tem um ponto fraco, onde você deve utilizar as diversas artimanhas e ferramentas para descobrir onde estão e como feri-lo. Algumas vezes você precisa utilizar as estruturas que estão em sua volta, outras vezes a própria região é sua arma. As formas dos Colossos variam de humanoides, animais e alguns seres distintos. Podem ser aquáticos e aéreos. Em alguns há a necessidade de utilizar Agro, em outros o Wander precisa revezar entre arco e flecha e sua espada. Alguns desses gigantes têm as ruínas de uma população remota encrustada no próprio corpo, o que nos dá a percepção de que eram seres que estavam em estado dormente e que foram confundidos com montanhas, etc.


O maior problema do jogador é o estranho sentimento que fica quando um Colosso é finalmente derrotado. Eles estavam no canto deles, quietos, alguns nem atacavam quando te viam, e Wander os mata friamente para conseguir chegar a seu objetivo. Um remorso junto com uma impotência de conseguir agir da maneira certa se mistura, ainda mais quando percebemos que Wander está sofrendo alterações físicas no decorrer do jogo, como se estivesse sendo amaldiçoado em decorrência de suas ações, fazendo o jogador desconfiar das intenções de Dormin. A cada Colosso morto uma estrutura que o representa é destruída no templo, onde Wander sempre retorna após cada uma das 16 missões é concluída.

No meio da trama alguns líderes tribais aparecem, utilizando máscaras representativas de cada Colosso, correndo em direção à terra proibida para evitar a destruição dos Colossos. Mas isso não muda seus sentimentos de solidão no jogo, pois essas participações são rápidas. O que fica no fim é a lembrança do jogo e de sua belíssima trilha sonora (realmente maravilhosa), tão condizente com a imagem e aparência do jogo que também é muito bonita.  Fantástico.