quinta-feira, 26 de maio de 2016

SENSE 8


Sense 8 não é uma série para todos os públicos. Muitos irão torcer o nariz, outros não irão concordar com as cenas de sexo ou não entenderão o enredo. Mas para quem tem a mente aberta e gosta de se aventurar e conhecer várias culturas pelo mundo não podem deixar de assistir essa série, que tem em seu visual o principal diferencial das outras séries. As imagens são particularmente bonitas, coloridas, diversificadas. E a história merece atenção redobrada para que se possa entender o que está acontecendo.

 O próximo passo da evolução humana seria uma ligação sensorial entre os seres humanos, capazes de se ligarem mentalmente e emocionalmente, compartilhando experiências e se conhecendo intimamente, como se fossem uma única pessoa. Isso começa a acontecer com um grupo de pessoas de varias partes do mundo. Sem entender o que está acontecendo, começam a se ajudar em suas dificuldades cotidianas, mas a vida que parece ser simples para um policial americano não é um dia tão normal para um russo perito em roubos, ou um ator mexicano homossexual. Os oitos “escolhidos” pela evolução se conectam quando suas emoções afloram ou simplesmente se relacionam para poder conversar ou trocar experiências.


Mas eles estão sendo observados e perseguidos pelo que parece ser uma organização que sabe dessa conexão entre eles, o que indica já terem existido outros sensitivos antes. Um desses sensitivos pode ter sido Jonas (interpretado por Naveen Andrews, o Sayed de Lost), visto por alguns dos oito sensitivos, em especial o policial americano Will, assombrado por um crime não resolvido em sua infância. Além de Will, os demais sensitivos também passam por aprovações em suas vidas pessoais como a do grande astro mexicano Lito Rodrigues pode ver sua carreira como ator desmoronar quando sua secreta relação homossexual com Hernando pode ser revelada, ou do carismático Capheus, queniano apelidado de “Van Damme”, que trabalha com seu ônibus na pobre cidade de Nairobi, conseguindo dinheiro com muito trabalho para dar remédios a sua mãe que está com AIDS, mas que se vê enrascado com as violentas e exploradoras milícias locais.


Do mundo oriental temos a sul-coreana Sun (parece que só existe esse nome lá), obrigada pelo pai a assumir um desfalque feito pelo irmão e cumprir pena em seu lugar, sem revelar para a família que ela tem uma vida secreta como uma eximia lutadora. Já a indiana Kala descobre que não ama seu noivo em plena véspera de casamento, onde uma grande festa já está sendo organizada, e isso ainda piora quando ela conhece e se apaixona pelo sensitivo alemão Wolfgang, perito em arrombar cofres e com uma rixa com sua família mafiosa. Além das cenas de sexo entre os homossexuais mexicanos, temos também um casal de lésbicas, onde uma delas, a transexual Nomi também é uma sensitiva, que começa a ser perseguida pela tal organização misteriosa. Mas de todos os oito interligados, parece ser Riley a que chamará mais a atenção. DJ irlandesa que vai para Londres, se envolve com amigos errados e foge de um passado abalado.


Uma série corajosa produzida pelo Netflix, dirigida pelos irmãos Wachowski (diretores de Matrix), estreou em 2015 e terá sua segunda temporada lançada em 2016, infelizmente sem a presença de Aml Ameen, o alegre Capheus, que será substituído devido à divergência criativa com os criadores. Mas o ponto decisivo para se assistir a série não são as cenas de sexo, ação, suspense ou até mesmo a relação entre os personagens de varias etnias, mas sim o trabalho de imagens muito bonitas, que transmite com muita beleza as diversidades culturais, bem aproveitadas em TVs de ultima geração, gerando um visual deslumbrante. Vale a pena ter a mente aberta.