sábado, 28 de maio de 2016

ROBERT JOHNSON


Ter inveja é motivo de vergonha, mas invejo a pessoa que nasceu no começo do século passado e teve oportunidade de frequentar os bares no Mississippi onde o Bluesman Robert Johnson se apresentou, mesmo com os problemas com o Ku Klux Kan e depressão na economia americana, valeria a pena ver não somente o talento desse cantor, mas também o nascimento de um estilo musical (pelo menos uma faísca).


Robert Johnson gravou apenas 29 músicas entre 1936 e 1937, mas foi o necessário para alegrar a vida de astros que vão de Eric Clapton aos Rolling Stones. Sua aura cultural e folclórica lhe invoca um respeito no meio artístico que só aumentam as histórias fantásticas que rodeiam sua vida. Hoje, quando ouvimos sua música, conseguimos notar um pouco do que ele transmitia na época, mas infelizmente estamos acostumados com as tecnologias sonoras dos dias de hoje e as gravações das 29 músicas acabam não demonstrando o real impacto que ele tinha ao vivo. O som parece estar saindo de um aquário e é indicado para quem já é iniciado no mundo do blues e que consegue identificar a beleza numa canção gravada naquela época.

Além de ser apontado como um dos maiores guitarristas de todos os tempos e a sua maneira de tocar o blues ter influenciado uma geração de cantores e até mudado os caminhos que o gênero musical estava tomando, Robert Johnson também contribuiu para a criação do Rock’n’Roll. Muddy Waters apontou Johnson como o mais importante cantor de Blues que já pisou na Terra. Suas músicas foram regravadas por Led Zeppelin, Blues Brothers, Eric Clapton, entre muitos e muitos outros. Clapton até lançou em 2004 o álbum Me and Mr. Johnson apenas com composições do bluesman.


O mito que ronda a vida de Robert Johnson já faz parte de um folclore popular, que ligam a origem de seu talento musical à sua morte. Em uma data incerta ele teria se dirigido a uma encruzilhada (Rodovias 61 e 49 em Clarksdale no Mississippi), e lá um homem negro e robusto lhe tomou sua guitarra e afinou num tom abaixo e conferiu a Johnson o talento de tocar o instrumento como ninguém, em troca, logicamente, de sua alma. A partir daí, o cantor não parou mais de fazer sucesso, até o fatídico dia em que teve que pagar sua dívida.

Robert Johnson é uma das personalidades que morreram aos 27 anos (como Kurt Cobain, Joplin, Hendrix, Jim Morrison entre outros). Ou foi uma história inventada por algum preconceituoso que queria diminuir o talento invejável de Johnson, ou uma brincadeira não desmentida, mas o fato é que Johnson pode ter sido envenenado por estricnina, colocado em sua garrafa de whisky por um marido ciumento. O filme de 1986, A Encruzilhada mostra bem esse mito, e as músicas do cantor ajudavam a alimentar essa história, como exemplo “Crossroads BluesO Blues da Encruzilhada”, “Me And The Devil BluesEu e o Demônio do Blues” e uma das mais famosas, "Hellhound On My TrailHellhoud no meu rastro – o que seria um cão do inferno o perseguindo". Se nem a data correta do nascimento do cantor era certa, sua morte também não seria diferente e vários rumores rondam a vida do grande Robert Johnson.