terça-feira, 24 de maio de 2016

O CHAMADO DE CTHULHU


H. P. Lovecraft pode ser considerado o ídolo de ídolos. Ele é uma referencia para o escritor Stephen King e reverenciado por Alan Moore, homenageado por bandas de Rock como Metallica, citado em séries de terror como Supernatural e inspirou diversas histórias em quadrinhos e filmes. Pode ser considerado o mestre do terror. Lovecraft nasce em Providence, Rhode Island, EUA, em 1890 e uniu ao terror gótico elementos de ficção cientifica e exotéricos. Essas informações podem parecer apenas informativo, mas para quem já leu seus contos e as obras de escritores posteriores que nelas foram baseadas, você encontrará uma relação lendária do autor que se confunde com o mundo por ele imaginado. Lovecraft poderia sem problemas nenhum ser um de seus atormentados personagens, mesmo que sua vida na realidade tenha sido diferente do que é conhecido pela maioria.

Em uma parte de sua vida o escritor não era lá muito sociável e se correspondia com outros escritores por meio de cartas (entre eles Robert E. Howard, criador de Conan), e um fator decisivo que contribuiu para sua personalidade e consequentemente lhe abriu as portas do mundo fantástico e macabro, foram seus pesadelos. Sua histórias e descrição de criaturas pareciam sair de um mundo macabro que o escritor tinha acesso, mas claro que suas histórias não derivam de alucinações ou um portal para o inferno, e sim de sua criatividade. A partir dessa colocação a vida do autor começa a se misturar com o folclore criado em torno dele, tornando-se um personagem de sua crianção e transformando sua vida em lenda, muitas vezes exageradas, em outras vezes inventadas e tomadas como realidade.

 

O conto O chamado de Cthulhu (lançado em 1928) é um de seus trabalhos mais famosos, dando origem ao mito do Cthulhu, ser monstruoso e adormecido, que faz parte do roll de seres cósmicos conhecidos como Os Antigos, que já estavam na Terra nos primórdios da humanidade e são venerados e cultuados por seitas milenares que tem o objetivo de acordar esses seres para uma nova era. Cthulhu está adormecido, mas seus sonhos podem ser capitados por pessoas sensíveis e susceptíveis a ele, e essa experiência causa loucura e alucinações, numa onda de histeria investigado por um jovem obstinado em descobrir a verdade.

Enquanto ele segue em sua investigação lhe vão sendo revelados segredos do primórdio da humanidade e começa a perseguir obsessivamente todas as pistas e caminhos que o levam a seita maligna que adora o Deus de nome impronunciável que está prestes a acordar e gerar um caos sem precedentes. Fascinado e atraído pelas diversas histórias e lendas, em especial pelas ilustrações de um pintor que ficou insano devido aos próprios sonhos, onde um lugar de proporções monumentais e com estruturas geométricas desconhecidas eram pintadas. Por fim ele acaba indo em busca do tal lugar escondido, que devido a um recente terremoto emergira no oceano, onde por fim poderiam encontrar a criatura.


Logicamente a descrição do monstro e sua onipresença durante o conto são os pontos mais importantes da trama, mas a maneira como a história é contada é que gera calafrios. A loucura tomando conta dos personagens e mesmo Cthulhu sendo apenas o motivo do medo, os acontecimentos prende a atenção do leitor apenas pela ansiedade de saber o desfecho, que é totalmente satisfatório, diferente de varias obras de terror onde o clímax não é mais surpreendente que o desenrolar do suspense. A narrativa da ilha e o caminho até onde a “entidade” aguarda seus visitantes até a sua aparição, nos mostra por que Lovecraft é o mestre do terror. Imperdível.