quarta-feira, 18 de maio de 2016

DRÁCULA - BRAM STOKER


O mito do Drácula sofreu muitas modificações, transformando o personagem num monstro, em outras vezes num simples homem com caninos avantajados, mas temos que ser francos em acreditar que ele nunca gerou tanto medo. A figura mais conhecida seria a interpretada por Bela Lugosi, um homem magro, pálido, com entradas capilares marcantes, de capa e trajes de elegantes (parecia sempre estar pronto para ir a uma festa). Tanto que as versões infantis, como desenhos do Scooby Doo e Turma do Penadinho, não modificaram essa figura, não havendo necessidade de adaptar seu visual para evitar pesadelos infantis. Mas quando era criança e assisti pela primeira vez ao filme Drácula de Bram Stoker, de Frances Ford Coppola (lançado em 1992), eu senti medo.  


Muitos filmes já haviam sido feitos sobre o maior de todos os vampiros, mas a abordagem feita por Coppola e a maneira como ele mostrou isso na tela foi provocante. Todos os filmes que adaptaram o livro de Bram Stoker seguiram a história de uma maneira geral, dando importância para algumas partes e subtraindo as que não eram consideras importantes. Em alguns casos, novos conceitos eram introduzidos para diferenciar um filme do outro, mas o livro era apenas um pano de fundo para um novo roteiro. Convenhamos que, mesmo com o nome do autor no título do filme, Drácula de Bram Stoker também tem algumas diferenças que podem ser consideradas licenças poéticas para deixar o resultado final mais interessante.

O filme já começa com um diferencial, ligando a imagem de Drácula ao personagem histórico Vlad Tepes, explicando sua origem. Defendendo a Igreja contra a invasão dos turcos (combate mostrado até com as vítimas empaladas), Vlad Tepes descobre que sua amada Elisabetha cometeu suicídio pensando que ele havia morrido em batalha. Condenada ao inferno por ter se matado, Tepes renega Deus, num ímpeto de fúria bebe sangue e é amaldiçoado. A partir daí o enredo do livro toma parte da trama, com a visita de Jonathan Harker ao castelo do Conde para vender terras enquanto sua noiva Mina Murray o espera em Londres. Ao ver a foto de Mina, Drácula reconhece sua amada reencarnada e parte para Londres para poder conquista-la, mantendo seu marido prisioneiro.


O diretor teve a ajuda do grande elenco do filme. Winona Ryder é Mina Murray e Keanu Reeves interpreta o desventurado marido Jonathan Harker. Mesmo os dois fazendo bem seus papeis, as surpresas ficam por conta de Sadie Frost como Lucy, a primeira vítima de Drácula, e logicamente Antony Hopkins (nosso eterno Hannibal) como um Van Helsing diferente, grosso e irônico, chegando a ser engraçado em algumas partes. Um caçador de vampiros não poderia ser diferente.


Mas é Gary Oldman que brilha. Para mim sua interpretação como Drácula redefiniu o personagem para os novos tempos. Seu semblante severo como Vlad Tepes e sua elegância como o rejuvenescido Drácula (com óculos escuros, trajes elegantes e cartola), dão ao personagem o charme perdido com o tempo. Quando o personagem de Keanu Reeves se encontra com o envelhecido Drácula em seu castelo, o visual do vampiro é surpreendente, com seu penteado peculiar e trajando sua indumentária vermelha são de arrepiar. Ainda mais quando sua sombra parece se mexer de forma independente. Gary Oldman está irreconhecível. O filme também mostra as varias formas que o vampiro pode se transformar, de uma fera peluda a um morcego monstruoso. O Drácula, como ele devia ser se realmente tivesse existido.