quinta-feira, 14 de abril de 2016

PENNY DREADFUL


Nos primórdios do século passado eram vendidos nos Estados Unidos os famosos pulps, revistas baratas feitas com papel de polpa de celulose (daí o termo pulp), onde eram apresentadas histórias consideradas qualidade duvidosa, mas que nos trouxeram muitos personagens famosos. Mas antes dos pulps, na Inglaterra eram comercializados os “penny dreadfuls”, que traziam histórias de terror e custava apenas um penny, sendo apelidado assim de centavos do terror.  Como a história da série se passa na mesma época, nada mais justo prestar homenagem a essas velhas publicações, ainda mais por ter o mesmo conteúdo.

Em plena Londres da era Vitoriana e dos assassinatos cometidos por Jack – O estripador, Sir Malcolm Murray contrata os serviços de Ethan Chandler, um exímio atirador que trabalha em um circo itinerante, para encontrar sua filha, Mina Murray, que pode ter sido sequestrada por seres das trevas. Malcolm tem uma estranha relação com Vanessa Ives, uma sensitiva, que o ajuda a encontrar a filha desaparecida. A eles se juntam o Dr. Victor Frankenstein, que está secretamente fazendo experimentações com mortos. Com as dicas dadas por Vanessa e por investigações próprias, o grupo vai adentrando um mundo secreto de medo e ações profanas, recheado de perigos e mistérios. Enquanto os passados dos personagens vão explicando suas ações no futuro, algumas más escolhas vão gerando problemas maiores para cada um deles, que têm seus próprios demônios e uma maneira própria de enfrentá-los.


Sir Malcolm sabe que cada minuto que passa sua filha é absorvida ainda mais por essas criaturas denominadas por “vampiros”, e tem noção que uma criatura poderosa está por trás de todos os seus males. O atormentado pai também tem fantasmas do passado que o aflige na mesma medida que o sumiço de sua filha. Vanessa possui segredos e suas experiências sensitivas abrirão portas que ela teme não poder fechar. Ethan Chandler pode ser considerado o mais misterioso de todos, com segredos muito bem guardados, mas que poderão ser bem utilizados no futuro. Já o jovem Dr. Frankenstein tentará ajudar o grupo, mas terá que fugir da vingança de um monstro criado por ele.

Timothy Dalton parece fazer o melhor papel de sua carreira como o contido e angustiado Sir Malcolm Murray, personagem que aqui tem um maior desenvolvimento que no livro de Drácula, onde sua filha teve mais importância. Mas é Eva Green que chama a atenção em todos os capítulos, e leva o crédito pelo sucesso da série, com uma surpreendente interpretação. Uma bela mulher que dará medo em algumas cenas, uma personagem interessante, que parece saber mais do que aparenta, com um passado nebuloso e com poderes que mais trazem sofrimento do que ajuda. As cenas em que ela é possuída são as melhores da série.


Victor é um jovem fascinado pela sua própria descoberta, uma maneira de dar vida a um ser feito de varias partes de corpos roubados de cemitérios que acaba de tornando uma criatura dotada de sentimentos que não aceitará suas condições e tentará fazer seu criador pagar por lhe ter dado vida e o abandonado posteriormente. Com o objetivo de não se sentir tão só, ele vai à busca de seu criador para que seu problema seja resolvido. O problema de conhecer a criatura pelo nome do cientista se deve ao nome do livro de Mary Shelley, Frankenstein ou o Moderno Prometeu, onde é o sobrenome de Victor que dá título à obra da escritora, mas que tornou a criatura mais famosa que seu criador e lhe tomou o nome no imaginário popular. A série segue a obra e os menos conhecedores do livro irão estranhar ver um “Monstro” diferente do grandalhão cheio de cicatrizes e com parafusos no pescoço como o apresentado pelo ator Boris Karloff na década de 30. Os vampiros são amedrontadores e a Londres de Penny Dreadful nos dá a percepção de quanto era perigoso andar pela cidade naquela época. O personagem Dorian Gray de Oscar Wild e seu famoso retrato também tem uma participação menos importante na trama, igual a Val Helsing. Uma série de terror que vai prender sua atenção, fazendo querer assistir um episódio atrás do outro. Muito bom e super-recomendado.