segunda-feira, 18 de abril de 2016

MARVELS


Considero Marvels a forma mais legal de como visualizar o universo de super-heróis se ele realmente existisse. Considerado um grande clássico, divisor de águas no quesito ilustrações para quadrinhos, quem já leu irá concordar comigo. Isso tudo devido à arte super-realista do grande artista Alex Ross, que sempre presta uma homenagem à era de ouro dos quadrinhos com suas ilustrações que mais parecem fotos tiradas por ângulos de terceiros, que estão acompanhando os acontecimentos. Ross utilizou modelos vivos (em especial seu próprio pai) para desenhar e colorir cada página desse primoroso trabalho, mais reverenciado pelas lindas imagens do que pela história. Mas convenhamos, a história também é muito legal.

Com base nas capas clássicas de histórias famosas da Marvel, essas mesmas histórias vão sendo contadas na ótica de um jornalista que estava presente em todos esses eventos. De seu ponto de vista, um mero mortal em meio a um mundo de mutantes e seres extraordinários, tem sua versão dos fatos narradas como um observador, ao mesmo tempo em que ele explica com suas palavras o que ele entendeu de cada acontecimento.


O que era para ser uma releitura da origem dos heróis conforme ocorreram na década de sessenta, Kurt Busiek deu a ideia de recontar esses fatos pela ótica do foto jornalista Phil Sheldon, que vai narrando os fatos que fotografa e seus sentimentos perante esses heróis e vilões. Esses sentimentos vão de idolatria ao temor, causado por medo do desconhecido e pela impotência contra seres tão poderosos.

Cada edição abrange um período do trabalho de Phil Sheldon, a começar pela cobertura da criação de um androide capaz de se autoinflamar e voar (o Tocha Humana original) e depois da aparição do príncipe submarino Namor, um ser do oceano com grandes poderes, que ameaça os seres da superfície, tudo isso em meio a Segunda Guerra Mundial. Phil consegue tirar algumas fotos do embate dos dois, e gera estranheza quando, anos depois, os dois se unem ao recém-surgido Capitão America, idolatrado pelos americanos, para derrotarem as forças do eixo.


Daí por diante os heróis vão surgindo e suas façanhas são noticiadas nos jornais, em especial o Quarteto Fantástico, que teve fotos do Phil tiradas até no casamento de Sue e Reed Richards. Mas o ápice está na invasão de Galactus, acompanhada de longe pelo jornalista, onde tenta entender o que está acontecendo e prevendo como seria o futuro da humanidade após a aparição de um ser com tamanho poder.  Enquanto tira fotos do Quarteto tentando enfrentar a criatura, Phil também percebe a diferença de sentimentos do ajudante do monumental invasor, um ser prateado que utiliza uma prancha de surf para se locomover. Alguns anos depois Phil persegue e se acidenta enquanto tem o privilégio de registrar por intermédio de suas lentes fotográficas um dos mais importantes encontros do Homem Aranha e Duende Verde. O medo do desconhecido é bem representado pela perseguição aos mutantes, que para mim é a melhor parte de Marvels, onde Phil encontra e esconde uma criança mutante no porão de sua casa.

Na época esse trabalho gerou grande euforia, o que fez as editorias buscar artistas que conseguissem copiar o estilo de Ross, que acabou influenciando diversos outros desenhistas. Logicamente Ross foi incumbido de fazer o mesmo com a DC Comics, mas ele precisou inovar para que seu trabalho na DC não fosse considerado uma simples cópia de Marvels e dessa forma surgiu o Reino do Amanhã. Postagem futura garantida.

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