quinta-feira, 28 de abril de 2016

HANNIBAL



O Dr. Hannibal Lecter ficou conhecido após a surpreendente interpretação de Anthony Hopkins para o filme O silêncio dos inocentes, que lhe rendeu um Oscar (o filme ainda papou o prêmio de melhor filme e de melhor atriz para Judie Foster). Hopkins se tornou uma grande estrela e Lecter um dos maiores personagens do cinema. Mas o amedrontador Lecter já havia aparecido nos cinemas em 1986 no filme Caçador de assassinos (interpretado Briam Cox – o Striker de X-Men 2) filme que era uma adaptação do livro O Dragão Vermelho, e que foi readaptado em 2002 com Hopkins novamente, que ainda deu vida ao assassino canibal em Hannibal, do diretor Ridley Scott em 2001. O ator parecia ter encarnado o psiquiatra e ver o personagem sendo interpretado por outro ator parecia impensável.  Mas sua juventude foi contada em Hannibal a origem do mal, de 2007, onde um Hannibal ainda jovem começava uma vida de assassinatos frios e forjava seu gosto culinário peculiar. Parecia ter sido o fim da linha para o personagem, que não tinha mais nada para contar. Ledo engano.



Inspirada no livro o Dragão Vermelho do escritor Thomas Harris, a rede NBC produziu a série Hannibal que estreou em 2013 e fez grande sucesso. Tem como protagonista o especialista em reconstituição de cenas de crime Will Graham, agente especial do FBI. Graham consegue se colocar no lugar do assassino, analisando todas as pistas e também conseguindo entender o perfil psicológico do criminoso, identificando suas motivações e métodos de matar. Logicamente esse dom é conseguido devido a Will Grahan também ter um perfil psicológico perturbado, beirando a psicopatia devido a sua “empatia” com os assassinos identificados por ele. Esse desequilíbrio faz com que Jack Crawford, seu chefe no FBI, lhe direcione extra oficialmente a um psiquiatra fora da agencia, o renomado Dr. Hannibal Lecter.

O estranho funcionamento da mente de Will é raro de ser encontrado e estudado, portanto Hannibal não perde a oportunidade de tecer um emaranhado de situações para suprir sua curiosidade. Na cabeça de Will fica difícil de distinguir quem está cometendo os crimes, uma vez que se coloca na situação de assassino sempre que está na cena do crime, para que o mistério seja solucionado, cabendo ao psiquiatra à função de estabilizar e ajudar o agente a continuar salvando vidas. Infelizmente para o desequilibrado Will, seu psiquiatra é nada menos que o mais inteligente serial killer do mundo.


A série se aprofunda ainda mais no relacionamento psicológico entre Will e Hannibal, num embate filosófico onde o modus operandi dos assassinos perseguidos pelo FBI vão sendo debatidos, enquanto Hannibal praticamente faz com que todos os personagens participem de seus banquetes suntuosos e requintados, onde apenas ele e o telespectador sabem de onde vêm as carnes servidas. Hannibal, por estar no meio da investigação, sempre está à frente de seus perseguidores, mas não são apenas suas vítimas objetos de investigação do FBI, em meio à trama vários outros assassinos com métodos diferentes são perseguidos com a ajuda de Will e até de Lecter.

O elenco foi bem escolhido, principalmente o trio principal. Enquanto nos filmes temos um psicopata já conhecido por seus crimes e de idade já madura, aqui conhecemos um psicopata que ainda não foi descoberto e sempre age nas sombras, interpretado friamente por Mads Mikkelsen, que dá um ar imponente ao personagem, com classe e elegância. Já o veterano Laurence Fishburne dá vida ao chefe do FBI Jack Crawford, que vive um dilema em usar o agente especial nas investigações, mesmo sabendo que isso pode estar acabando com seu equilíbrio emocional e social. Mas é Will Graham, interpretado por Hugh Dance, que irá chamar mais atenção, devido a sua instabilidade, chegando algumas vezes a não saber diferenciar a realidade de suas interpretações de assassinato. Não raras vezes ele é atormentado pela morte de um serial killer que o persegue em alguns momentos. Uma série que não fica atrás dos filmes do famoso canibal. Para quem tem nervos de aço.