terça-feira, 12 de abril de 2016

FRANKENSTEIN OU O PROMETEU MODERNO



O livro gótico Frankenstein, escrito pela jovem Mary Shelley (que tinha 19 anos na época) em 1818, é o primeiro clássico literário de horror, considerado uma das três maiores referências do terror para as gerações posteriores de escritores (as outras duas são Drácula do escritor Bram Stoker e Dr. Jakill e Sr. Hyde de R. L. Stevenson).

Nas geleiras do Polo Norte um homem é resgatado por uma embarcação e, muito doente, conta sua história ao capitão. O sobrevivente era Victor Frankenstein, um homem da ciência e pertencente a uma família muito nobre de Londres, mas que tinha sonhos muito grandes e queria deixar seu nome marcado na história da humanidade. Seu objetivo científico era dar vida a um corpo inanimado e tal qual a lenda grega de Prometeu, que roubou o segredo do fogo dos deuses, ele conseguiria se igualar a Deus e criar vida. Ultrapassando todos os limites éticos, ele começou a invadir cemitérios e roubar órgãos dos sepultados e secretamente começou a moldar com varias partes de corpos um ser “humano”.


Victor fica obcecado pela sua experiência, afastando-se de sua família e amigos, e após alguns anos finalmente ele conseguiu dar vida a criatura. Mas tal visão faz o cientista repudiar o ser criado, numa junção de medo, arrependimento e estranheza de ter concebido algo que não poderia ter alma. Abandonada a própria sorte, o monstro começa a seguir seu criador, mas devidos às suas cicatrizes e deformidades, sempre fica escondido nas sombras, até decidir fugir para a floresta, onde consegue se esconder em um celeiro e acompanhar o cotidiano de uma família rural. Por um tempo, sempre escondido, ele aprende a falar, a ler, compreender as necessidades sociais e até a ter sentimentos. Mas ele seria sempre considerado um ser diferente, concebido de maneira anormal, feio, e rejeitado, e promete para si mesmo que se vingaria e faria seu criador sofrer.

Até então o monstro não era um ser mal, mas em sua mente começa a se amargurar e se sente impelido a praticar atos violentos contra os familiares e amigos de Victor. Nos filmes que se seguiram, após o sucesso do livro, o monstro sempre foi retratado como uma criatura induzida ao mal devido à suas experiências com o ser humano. Não foram raras as vezes que ele foi retratado como um monstro de personalidade infantil. Na realidade seus sentimentos eram bem mais complicados. O monstro causa algumas mortes por estrangulamento, em especial a nova do cientista. Decidido a dar um fim a sua criação, Victor começa a caça-lo até chegar nas geleiras do Polo Norte, onde adoece e é resgatado.


Nos cinemas a criatura foi interpretada por Boris Karloff, que definiu a aparência do personagem nas décadas seguintes. O filme fez muito sucesso, e o nome do longa metragem ficou ligado à criatura. O monstro de Frankenstein passou a ser ligado ao nome de seu criador. Nas versões coloridas, a cor verde foi a mais escolhida para aparência do grandalhão, que continuou com parafusos no pescoço. Igual ao Drácula, o personagem acabou caindo no gosto popular, com versões para varias mídias, como exemplo o Tropeço, mordomo da Família Adams, ou o Frank da Turma do Penadinho. Em desenhos animados podemos citar o robô Frankenstein Jr. e a ótima animação de Tim Burton, Frankenweenie, onde um garoto ressuscita seu cachorro. Os filmes atuais voltaram a abordar a história original, com um monstro mais parecido com o livro de Mary Shelley, mas o grandalhão verde com parafusos no pescoço demorará a sair de nossas mente.

Bernie Wrightson, one of the andreas' influences. see also : http://pinterest.com/jefwesh/berni-wrightson/: