quinta-feira, 17 de março de 2016

VINTE MIL LÉGUAS SUBMARINAS


“Tudo o que um homem pode imaginar, outros homens poderão fazer”. Com essa frase de Júlio Verne podemos perceber que esse notável escritor não possuía travas em sua imaginação. E confirmamos essa qualidade imaginativa quando lemos seus livros. Um exímio pesquisador, Júlio Verne podia viajar o mundo sem sair de casa. Não que tenha deixado de viajar, mas muitos lugares descritos em sua obra não haviam sido visitados até aquele momento, ou não existiam. Diante um detalhado estudo e objetividade lógica ele desenvolveu ideias que foram colocados em prática muitos anos depois. Com certeza um homem a frente de seu tempo.

Suas obras são repletas de personagens cativantes e que entraram para o imaginário popular. Com sua imaginação e pesquisas fundamentou viagens à lua e a construção dos submarinos modernos e escafandros. Considerado o inventor do gênero ficção cientifica, seus livros possuíam ação, aventura e analises cientificas, que em muitas vezes foram corroboradas pelas novas descobertas da ciência e da expansão geográfica. Mas sua imaginação era muito fértil para se prender nesses entraves realistas e temos muitas histórias misturadas entre realidade e ficção.

 

Vinte mil léguas submarinas é uma de suas mais famosas criações. Escrito em 1970, contava a história de uma tripulação que buscava encontrar um monstro marinho que estava atacando navios, gerando grande temor nas companhias de navegação. O que todos acreditam ser um narval gigante estava amedrontando pescadores e viagens de navio estavam sendo canceladas ou preteridas por tempo indeterminado. O governo americano incumbe o estudioso professor Aronnax a encontrar o tal monstro e destruí-lo. Com seu criado Conseil, eles embarcam no navio Abraham Lincoln juntamente com Ned Lands, considerado o rei dos arpoadores.


Mas após uma tempestade os três são jogados ao mar e são resgatados pelo tal “monstro.” Um gigantesco submarino emerge e os três são convidados a embarcarem. Maravilhados pelo grande e misterioso transporte marinho, ambos são apresentados um tempo depois ao capitão dessa embarcação: o Capitão Nemo. Tratados cordialmente e livres para andarem por onde quiserem no submarino, denominado Nautilus, teriam que ficar para sempre como hospedes do Capitão, para que a existência do Nautilus sempre fique em segredo. Impossibilitados de sair, Aronnax até fica mais próximo do Capitão Nemo, um homem genial, mas com sentimentos obscuros. Que o leva a caçar no fundo do mar e lhe mostrar os mistérios do oceano. Mas o arpoador Ned Lands mantem certo grau de cuidado, desconfiando do capitão e tramando uma fuga para os três prisioneiros.


Tanto o Nautilus quanto o Capitão Nemo são os personagens que perduraram após mais de um século de sua criação. A maneira como o funcionamento do submarino é relatado no livro, por meio de eletricidade, povoaram a imaginação dos leitores enquanto os motivos do Capitão Nemo ter renegado a humanidade e escolhido viver sob o mar com sua tripulação vão dando o andamento no enredo, cheio de aventuras nos dez meses em que Ned Lands e os demais ficam presos.


Houve muitas adaptações para o cinema, a mais conhecida foi filmada em 1954 onde Kirk Douglas interpretou Ned Lands, e o diretor Bryan Singer prometeu levar às telonas um novo filme nos próximos anos. Nemo foi homenageado pela Pixar dando seu nome ao peixinho que se perdeu do pai em “Procurando Nemo”, e também foi um dos personagens clássicos escolhido por Alan Moore para integrar A Liga dos Cavaleiros Extraordinários, junto com Allan Quatermain e outros. A história de Vinte mil léguas submarinas tem um fim misterioso, mas que foi revisitada em outro livro do autor, A ilha misteriosa, que também deve ser lido.