segunda-feira, 7 de março de 2016

OS SUPREMOS


Sempre em busca de novos leitores, as editoras de quadrinho tentam geralmente renovar seu universo para atrair novos mercados. Para quem é mais novo ou não acompanhou todas as histórias dos heróis da Marvel ou DC, às vezes podem se sentir perdidos quando tentam ler um HQ, onde os acontecimentos estão ligados a eventos do passado que apenas os leitores assíduos tem conhecimento. Escrever uma história que possa agradar os leitores habituais e esporádicos é uma tarefa árdua e por vezes impossível de ser feita. Por isso as editoras acabam recontando e alterando as origens dos personagens para se atualizarem ao mundo real e à nova geração de fãs que vem surgindo.

No início dos anos 2000 a Marvel decidiu criar um novo universo, intitulado Ultimate, onde todos os personagens seriam inseridos e suas origens recontadas e atualizadas para um novo público. Começando pelo Homem Aranha, passando pelos X-Men e chegando a uma nova versão dos Vingadores, agora conhecidos como Supremos.


Uma série de diferenças foi inserida na trama e nos personagens. Enquanto os Vingadores era a junção dos maiores heróis da Marvel que se unem para derrotar os grandes vilões da editora, em Os Supremos temos um grupo de heróis capitaneados pela S.H.I.E.L.D. para cobater inimigos e perigos reais e posteriormente uma raça alienígena que tenta invadir nosso planeta.

A história tem início no fim da Guerra Mundial, onde o lendário Capitão America descobre os verdadeiros causadores da guerra (ou ajudantes - não vamos diminuir o Hitler), os aliens Chitauris (utilizados no filme dos Vingadores, mas que foram, por sua vez, baseados nos Skulls dos quadrinhos). Após derrotar essa primeira invasão, o Capitão fica congelado por anos nas geleiras, tal qual sua verdadeira origem, mas é encontrado pela equipe de Tony Stark décadas depois. Stark, o Homem de Ferro, estava trabalhando com a S.H.I.E.L.D. em cooperação com o cientista Bruce Banner para recriar o soro do super soldado utilizado em Steve Rogers, o Capitão América.


Liderados por Nick Fury, Os Supremos ainda contam como membros da equipe o Dr. Henry Pym e sua esposa Janet, que criaram trajes capazes de aumentar e diminuir o tamanho de seus corpos. Fury tenta convocar um misterioso ecologista que está enfrentando baleeiros e lutando contra as forças de empresários inescrupulosos que agridem a natureza e os menos favorecidos, e que se diz príncipe de Asgard, o verdadeiro Thor. Mas devido à ligação da S.H.I.E.L.D. com o governo e por divergência de ideais acaba não aceitando o convite. Os agentes Gavião Arqueiro e Viúva Negra e ex-vilões Mercúrio e Feiticeira Escarlate fecham a equipe.

Tentando provar seu valor, o cientista Banner, sempre relegado a um nerd sem valor pelos demais membros da equipe, acaba se autoinjetando o soro experimental, mas a droga não gera o efeito esperado, transformando Banner em uma criatura verde, gigantesca e extremamente forte, gerando o primeiro combate da equipe que tenta domar o gigante esmeralda, que já havia atacado o vento de Nova York e combatido certo escalador de paredes. Hulk só é contido com a ajuda de Thor, que decide se envolver com a equipe, agora liderada pelo Capitão América.


Muito de Os Supremos foi reaproveitado no cinema, como o visual de Nick Fury, agora negro com as feições de Samuel L. Jackson (ele até cita que o ator poderia interpretá-lo no cinema). Mas aqui Tony Stark está com um tumor cerebral e Steve Rogers tem problemas com a sociedade atual e sua amada, agora com idade avançada. O Thor desse universo, com suas críticas contra ao governo (eu me lembro de Arqueiro Verde da DC), é mais interessante que o Thor original.

Mark Millar nos apresenta uma história com teor cinematográfico, onde o Hulk pode ser considerado tanto como uma arma como uma ameaça (tema também utilizado nos filmes). Há muita trama paralela, em especial a briga de Henry Pym e Janet, garante à história um teor realista, ainda mais em união aos desenhos de Bryan Hith. Já gerou dois filmes em animação. Imperdível.