terça-feira, 8 de março de 2016

O LABIRINTO DO FAUNO


Uma fábula para adultos. O diretor Guilhermo Del Toro, muito conhecido da comunidade nerd devido aos filmes Hellboy, Blade II e Círculo de Fogo, entre outros, nos apresenta o seu melhor filme com esse conto de fadas assustador. E a parte do filme que gerará espanto não tem nada de fantasioso. Após dez anos de seu lançamento (2006), o filme com certeza garantirá bons momentos para quem estiver assistindo, assegurando diversão e momentos de reflexão.

Ofelia (Ivana Baquero) é uma garota de 10 anos que adora histórias de fadas, mas que encontrará um mundo completamente diferente ao chegar à casa de seu novo padrasto, o capitão Vidal (Sergi Lopez). Logo quando se conhecem nós percebemos que Ofelia terá um futuro difícil naquela casa. Com o tempo ela vai percebendo que a única coisa que importa para o capitão é o filho varão que sua mãe Carmen (Ariadne Gil) está esperando. Mas a gravidez de sua mãe é complicada e Vidal a cobre de cuidados “aprisionando” a esposa em seu quarto, fazendo mãe e filha se distanciarem.  


Devido ao posicionamento estratégico para as forças fascistas em plena Guerra Civil Espanhola, a casa de campo do capitão oferece ampla área verde, rodeada de arvores e mata, onde Ofelia acaba se aventurando e descobrindo um labirinto, e conhecendo o Fauno, um ser metade homem e metade bode, que revela que Ofelia é uma princesa de um reino subterrâneo e que para poder retornar a esse reino ela precisa realizar três tarefas. Sair de um mundo como “o País das Maravilhas” e entrar num ambiente de guerra e revolução acaba gerando um conflito na criança, que tenta fugir da realidade indo à busca desse mundo. Não sabemos se o Fauno é fruto de sua imaginação ou se realmente é real. De um lado o mundo surreal prometido pelo Fauno, do outro um mundo triste controlado por um homem cruel e sádico.

O visual do filme é muito bonito, com as cores dando os tons da trama, e com sombreado bem dosado nas cenas de realidade e fantasia. As inseguranças e até teimosia da garota Ofelia nos faz lembrar momentos de nossa infância ao mesmo tempo em que nos lembramos de nossos medos e que um amigo imaginário pudesse ter realmente existido. Enquanto nos esforçamos para acreditar na parte fantasiosa do filme, nos entristecemos de saber da realidade imposta pelo capitão, muito bem interpretado por Sergi Lopes. No filme há fadas, sapos gigantes, fauno e outros seres, mas é o padrasto que rouba as cenas, demonstrando sua crueldade em torturas ou esforços para achar e matar rebeldes que lutam contra o governo fascista da Espanha da época. Um grande vilão que despertará um sentimento ruim em quem assistir, transmitindo fascínio e oídio misturados, nos fazendo entender o motivo de Ofelia tentar encontrar um mundo de fantasia para ter alguns momentos de felicidade.


O mímico Doug Jones não só interpreta o Fauno do título, mas também o amedrontador Homem Pálido. O restante do elenco também chama a atenção, e assistir o filme na versão original (espanhol) nos dá uma percepção ainda mais mítica da trama. A música do filme ficará na sua cabeça, e as cenas fortes gerarão impacto que vão demorar a serem esquecidos. Mas vale muito a pena assistir.