terça-feira, 1 de março de 2016

MAD MAX: A ESTRADA DA FÚRIA


É muito legal assistir um filme e sentir que está dentro da tela. No caso do novo filme do Mad Max, além de se imaginar naquele deserto escaldante, você se sente em movimento, experimentando os solavancos dos veículos e se apertando nos pequenos espaços, com medo de cair da carroceria. Tudo é maior em Mad Max: A estrada da fúria, e o diretor George Miller nos faz ter uma boa experiência ao assistir o filme, que já está sendo considerado um novo marco na história dos filmes de ação.

O primeiro Mad Max foi lançado em 1979, com orçamento de 100 mil dólares e arrecadou 100 milhões, fez a carreira de Mel Gibson deslanchar e ainda rendeu duas continuações. O que era uma história de vingança contra uma gangue de motoqueiros rebeldes no primeiro filme foi se tornando uma aventura num futuro anárquico e distópico nos filmes posteriores, onde a gasolina e a água eram bens mais valiosos que ouro. O último filme foi lançado em 1985, onde a frase “dois homens entram, um homem sai” era gritada pela plateia ao redor da Cúpula do Trovão, mas é o segundo filme, Mad Max 2: A caçada continua, que ficou lembrado como o melhor filme de Max. Mais de trinta anos depois o diretor George Miller lança uma continuação que irá agradar também o novo público, pois você pode assistir sem precisar recorrer aos filmes anteriores para entender a trama.


Após ser raptado pelos asseclas do tirano Immortan Joe e aprisionado para servir de doador de sangue, Max Rockatansky (desta vez o personagem é interpretado por Tom Hardy) é levado a perseguir a Imperatriz Furiosa (Charlize Theron), uma dos generais déspota que decidiu não voltar para a Cidadela governada por ele e de quebra está com seus bens mais valiosos, suas esposas. O filme jorra informação, mas não te dá tempo de ficar tentando entender o que está acontecendo e você vai descobrindo o que está ocorrendo ao mesmo tempo em que a ação acontece.

Você vai constatando que tanto o tirano quanto seus seguidores sofrem de uma doença respiratória e degenerativa que faz Immortan Joe utilizar uma máscara de oxigênio e um tipo de pele sintética enquanto alguns servos necessitam de sangue para continuar vivos. Mad Max é apenas uma bolsa de sangue, sempre ligado ao seu “dono” pelos tubos que lhe sugam as veias. As cenas de deserto são maravilhosas e você não se cansa de olhar as paisagens desérticas.


As mulheres encontraram na heroína Furiosa uma das melhores personagens feministas de 2015. Charlize Theron esbanja carisma e beleza, mesmo suja, um tanto masculinizada e sem perna. Sua ação tem fundamentos e ainda demonstra o sonho feminino de não se subjugar aos homens, em especial ao governante da Cidadela. Em um plano arriscado, Furiosa decide esconder as esposas de Immortan, todas grávidas, para encontrar um lugar que conhecera na infância onde estariam a salvos do ditador.

Logicamente Max se junta a equipe de mulheres e por motivos diferentes terão que seguir juntos, cruzando o deserto enquanto todo o exercito do déspota os perseguem. Max é o mesmo cara, calado e com seus próprios problemas, mas que acaba ajudando os demais. O mundo continua distópico, a gasolina e a água ainda são escassos, e o deserto está mais perigoso do que nunca.


A direção de arte, a fotografia e o figurino são exemplares e foram reconhecidos com o Oscar. A ação começa nos primeiros minutos e só termina no fim do filme, com cenas de perseguição mirabolantes (com direito a um guitarrista maluco que nunca para de tocar para impulsionar os perseguidores, que enfrentam até tempestades de areia). O elenco está muito bom, além de Charlize, que pode ser considerada a protagonista, temos também Nicolas Hoult como Nux, o “dono” de Mad Max e seguidor fanático de Immortan, que o tem como um profeta e espera ser recompensado depois da morte. A franquia foi recriada e o primeiro longa-metragem e um grande filme.

PHOTO: Cars to survive the post-apocalyptic world. #MadMax: