sexta-feira, 4 de março de 2016

CHILDHOOD’S END


Arthur C. Clarke pode ser considerado um dos maiores escritores de ficção cientifica. Também era inventor e seus artigos científicos eram muito respeitados. Nascido na Inglaterra em 1917, o seu livro de maior sucesso foi levado aos cinemas por Stanley Kubrick em 1968. 2001: Uma odisseia no espaço é apontada por ser uma das maiores obras de ficção cientifica, e mesmo depois de anos de sua primeira exibição, ainda é fonte de especulações e interpretações quanto à sua mensagem. Em 1953 ele escreveu o livro The Childhood’s End (O fim da Infância).

Baseada nessa obra, no fim de 2015 estreou no canal Syfy a série com mesmo título, com três capítulos, onde os fãs de Arthur poderão acompanhar uma adaptação, feita por Matthew Graham, que pode não ser totalmente fiel ao livro, mas que garante uma boa diversão e surpresas.


Quando naves surgem em vários locais no mundo (logicamente o Brasil é representado por uma favela), e pessoas que morreram reaparecem para seus entes queridos com a mensagem de que a Terra passaria por uma grande transformação, logo após desaparecem. Em uma pequena fazenda, Ricky Stormgren (Mike Vogel – de Bates Motel – veja nosso post sobre está série), um pacato agricultor, é escolhido para fazer contato com o embaixador dessa raça alienígena. Intitulado pela mídia de Overlords (ou Soberanos), o embaixador chamado Kerellen, faz contato com Ricky, mas mantém sua forma física em segredo, informando que a população do mundo não está preparada para ver sua aparência. Após varias entrevistas coletivas e outros tantos acontecimentos que melhoram a vida dos terráqueos, Ricky faz com que Karellen ganhe a simpatia mundial.


Com o tempo as guerras são abolidas, as desigualdades sociais desaparecem e a evolução cientifica caminha à passos largos. Mas isso não por mérito dos humanos, o que faz alguns grupos irem contra a esse processo. Mas a raça de Karellen é tecnologicamente mais avançada e seu intelecto supera todas as dificuldades, sendo impossível evitar sua ajuda de melhorar o mundo. Seu pacifismo e suas ações geram uma nova sociedade que beira a utopia, mas sua insistência em lidar apenas com Ricky, que chega a ter vários problemas sociais e familiares devido a essa intimidade com Karellen, geram muitas desconfianças.

Essa ajuda extraterrestre causa a perda da identidade humana, que não tem mais uma cultura própria. Todos vivem da mesma forma e alguns começam a se descontentar com a vida ociosa, sem desafios, outros querem entender o avanço tecnológico e cientifico, sempre feito às cegas pelos humanos, mas esse conhecimento lhes é negado. É no campo religioso que a série demanda mais atenção. Karellen e suas naves destruíram as religiões do mundo todo apenas pela sua presença. Pelas palavras do embaixador “eles vieram nos salvar de nós mesmos”.



A série tem bons momentos e tem como foco principal a religião e a descrença em Deus, descrito pelo alienígena como uma muleta para a humanidade. Quando enfim Karellen se mostra para os povos do mundo, dá para se entender por que ele aguardou mais de uma década para se apresentar. Nas cenas em que ele se relaciona com os convidados em uma festa gera um estranho sentimento de desconfiança em quem está assistindo, nos fazendo rever preconceitos e ainda assim suspeitar das ações do estranho ser, ainda mais quando sabemos que nem tudo fora revelado, nos fazendo entender que religião é uma coisa e Deus e outra completamente diferente. Mas se houvesse uma experiência alienígena de verdade, pacifica ou não, suas convicções religiosas seriam prejudicadas? Ou confirmadas? Uma dica para quem ficou curioso com a série: não pesquise na internet e nem veja imagens no Google, pois de cara a aparência do alienígena será revelada, estragando as primeiras surpresas da trama.