segunda-feira, 21 de março de 2016

BATMAN: O CAVALEIRO DAS TREVAS


Frank Miller estava inspirado na segunda metade da década de 80. Era uma época socialmente difícil para os americanos quando Frank Miller desenvolveu o que seria considerado a melhor HQ da história. O presidente era Ronald Reagan e a sua batalha contra os comunistas deixou de lado outra guerra conta o narcotráfico que invadiu os EUA antes do término da Guerra Fria. Era uma época negra para os americanos, que precisam de um herói. Mas não podia ser um herói com as cores da bandeira do país, que de algum modo falhara com eles, mas um personagem que saísse das trevas para direcionar todos à luz. Não há nenhum outro que poderia fazer isso, a não ser o nosso velho homem morcego.

A história se passa dez anos após a aposentadoria de Batman, onde a Guerra Fria ainda não havia acabado e Gothan City entrou numa era de violência com jovens guiados pelas drogas, por gangues e vândalos. A sociedade piorou muito, onde ninguém ajuda ninguém e os poucos que ajudam recebem o pior em troca. Bruce Wayne se enclausura e tem apenas o velho Comissário Gordon e seu fiel mordomo Alfred para conversar. Mas ele sente um demônio em seu peito querendo sair na forma de um morcego toda vez que liga o televisor e vê a violência que paira sobre sua cidade. Uma frustração e angustia remoem em seu interior e acabam explodindo quando em meio a tantas noticias ruins na TV ele assiste a uma parte do filme “A marca do Zorro”, mesmo filme que assistiu no dia que seus pais haviam sido assassinados quando tinha oito anos de idade. Foi o empurrão para um retorno inevitável do vigilante, que mesmo cinquentão veste o velho uniforme e parte para limpar sua cidade dos criminosos.


A sociedade não é mais a mesma, depois de anos sofrendo com a violência e o medo de uma guerra nuclear entre as grandes potencia, onde os heróis desapareceram, tendo apenas um a quem recorrer, mas Superman é apenas um joguete na mão do governo. É esse mundo que um Wayne de meia idade e com dores devido à idade irá enfrentar. Nas quatro edições que perfazem a história, Batman enfrenta quatro adversários. No primeiro, um Duas Caras com a face reconstruída é reabilitado, mas as marcas eram mais profundas que as que estavam em sua face. Logo após Batman planeja enfrentar o lidar da gangue mutante, para tentar impor respeito e declarar para uma sociedade incrédula que ele estava de volta.

Escritor e desenhista de experiência, Frank Miller sempre encontrou nas mulheres uma ótima fonte de inspiração, como fez com Elektra e agora com a nova Comissária de polícia, Ellen Yndel, a quem é incumbido à captura desse vigilante mascarado, uma vez que a ajuda prestada por ele é inconcebível, uma vez que para o governo isso tira a responsabilidade do Estado e dando uma esperança a população proveniente de uma fonte não governamental. Outro personagem que não deveria faltar na história é Robin, que nesse caso é a jovem Carrie, que veste o manto do menino prodígio e ajuda Batman no momento mais difícil. Comissário Gordon também tem uma grande importância, mas já aposentado, torna-se amigo e Bruce Wayne.


Ao mesmo tempo em que os telejornais noticiavam a volta do Batman, um Coringa que se encontrava em estado catatônico volta a sorrir. Anos antes ele conseguiu assassinar cruelmente o parceiro de Batman, ajudando o mascarado a decidir aposentar-se, não sem antes espancar o palhaço a ponto de deixa-lo em estado vegetativo. Mas agora ele está de volta e com atestado de sanidade. Um duelo final seria indispensável à trama. Outros personagens clássicos que aparecem é Mulher Gato, agora uma cafetina  com um histórico romance com o velho Wayne, e Oliver Queen, o eterno esquerdista Arqueiro Verde, que não podia faltar, sempre com suas tiradas libertárias e oposicionistas, com o braço amputado que não o impede de manejar o velho arco.

Mas logicamente o oponente final é o que todos queriam ver contra o homem morcego. Antigos amigos se veem numa posição que não poderiam deixar de se enfrentar, de um lado um fantasma do passado que não quer parar de guiar uma revolução e do outro lado o ser mais poderoso da Terra que representa a continuidade daquilo que não pode ser combatido e mesmo assim está se autodestruindo. Ver Batman com a bota no pescoço do Superman dizendo ser o único homem que conseguiu derrotá-lo vale a história inteira. Dificilmente veremos isso no cinema. A DC até lançou a animação dividida em dois filmes, que são muito bons por sinal, mas nada como o nosso histórico Batman: O Cavaleiro das Trevas, o clássico dos clássicos.