segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

TRANSMETROPOLITAN

 

Spider Jerusalem seria massacrado em praça pública no Brasil atualmente. O protagonista da séria de quadrinhos Transmetropolitan é altamente anárquico e fora dos padrões. Uma mistura de Rafinha Bastos e Arnaldo Jabor vezes mil. A desculpa do autor de ambientar a história em um futuro cyberpunk distópico (data não informada) ajuda a mascarar os assuntos atuais abordados na trama. Em certa parte fica fácil para nós brasileiros analisar a sujeira na corrida presidencial nacional de 2015 no enredo.

Em “Trasbmet”, Spider nada mais é que um escritor aposentado, vivendo isolado numa casa nas montanhas, longe de todo o cenário social ferozmente atacado em seus livros e críticas passadas. Era tão mordaz que ele mesmo não conseguiu continuar vivendo na sociedade e se manteve recluso até seu dinheiro acabar e ele ser chamado pelo seu editor para continuar o trabalho contratado, escrevendo os próximos livros.  Totalmente maluco, drogado, cara-de-pau, egoísta e cínico, se prepara para sua volta, acompanhando uma infinidade de canais e noticiários (literalmente misturados) e começa sua investida contra a hipocrisia de sempre.

 

Se você liga para o que é politicamente correto nem chegue perto. Temas como a alteração e criação de religiões em larga escala, avanço tecnológico, política, ética sobre criogenia e logicamente, o poder que a mídia tem para mudar suas ideias, são usados e abusados pelo jornalista. Tudo é abordado com humor e algumas vezes podem chocar, sempre com insultos e palavreados. Muito mais é abordado e cada edição nos trás Jerusalém e suas ajudantes / secretárias em tramas absurdas e caóticas. A relação de Spider com elas é no mínimo bizarra, sempre com sua má educação e acidez.

Warren Ellis é um dos melhores autores de quadrinhos da atualidade, com um sucesso atrás do outro e “Transmet” é com certeza uma de suas melhores obras. Com seus óculos peculiares, Jerusalem Spider pode ser considerado uma das melhores criações de Warren, que se baseou em outra “figura” lendária, o escritor e jornalista Hunter S. Thompson, que conseguiu ser despedido por insubordinação da revista Times e que também tentou se eleger xerife em Aspen prometendo liberar drogas e transformas todas as ruas em ciclovias. Perdeu por pouco. Uma de suas aventuras pode ser vista no filme Medo e Delírio em Las Vegas, com Johnny Depp, que também fez outro filme escrito por Thompson, o Diário de um Jornalista Bêbado. Como Thompson, Spider tem um jeito peculiar de escrever suas críticas, que não é indicado para religiosos, puritanos e não iniciados em quadrinhos.