quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

TERROR EM RESONANCE


Os animes não são tratados como meros desenhos animados para crianças. No Japão é coisa séria e a maioria deles não são para “baixinhos”. Além da violência e conotação sexual, muitos animes abordam temas que as crianças ou não entendem ou ainda não tem o amadurecimento necessário para se prenderem a trama. Terror em Resonance é um desses animes.

Se você quer entrar nesse mundo e não tem coragem de acompanhar os animes que já possuem mais de cem episódios lançados e exigem que sejam acompanhados com afinco, Terror em Resonance (no original Zankyo no Terror) é uma boa porta de entrada, com seu começo, meio e fim devidamente contados em onze episódios que no momento podem ser encontrados no Netflix.


Tudo começa com dois jovens divulgando seus futuros atos terroristas no Youtube. Mascarados e irrastreáveis, os dois utilizam o codinome Esfinge para assinar suas ameaças, sempre cumpridas. Igual a Esfinge mitológica, seus vídeos possuem enigmas que, se decifrados, podem levar as autoridades até o local que haverá o atentado para que possam pelo menos tentar evita-lo. Um jogo de gato e rato onde os dois garotos sempre estão à frente da polícia de Tóquio.

Num tempo onde o terrorismo é uma ameaça mundial pode parecer estranho um anime abordar o tema colocando os terroristas como coadjuvantes, mas os atos dos garotos, chamados apenas de Nove e Onze, escondem um passado nebuloso e um objetivo ainda mais misterioso. Com muita ousadia e inteligência eles vêm conquistando o espectador e nos faz ter carisma pelos dois, mesmo se colocando no lugar das possíveis vitimas inocentes que suas explosões possam causar. Mas também torcemos pelo também esperto detetive Shibazaki, que tenta a todo custo decifrar os enigmas e evitar os ataques, ao mesmo tempo em que investiga quem são os dois mascarados, suas motivações e o que está por trás de seus atos, algo em que pode estar ligados mais do que imagina.


O traço do desenho é uma maravilha, criação do elogiado Shinichiro Watanabe, de Cowboy Bebop. Sem os maneirismos dos animes com exaltações cartunescas, como pingos de suor enormes descendo pela testa ou choros escandalosos. Limpo e realista, o que pode agradar mais uma vez quem não tem afinidade com animes.