quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

GUERRA MUNDIAL Z



Saudamos George A. Romero que nos deu uma visão mais respeitável ao tema “Terror Zumbi” na década se 60, tema esse que foi perdendo a força nos anos seguintes, com mais sangue e tripas e menos suspense, mas que voltou a ganhar força com a série The Walking Dead e até humor negro com os ótimos filmes Zumbilândia e Todo mundo quase morto.  Muitos livros e HQs abordaram o tema nessa década, mas nenhum o fez com tanto afinco e seriedade quanto Max Brooks.

Escritor e roteirista, Max é filho do irreverente cineasta Mel Brooks (de SOS, tem um louco solto no espaço), e nos apresentou o livro “Como sobreviver a um ataque zumbi”, cheio de detalhes e informações, um verdadeiro guia de como tentar sobreviver se algo do tipo ocorresse.  Pode parecer engraçado, o que realmente é, mas apenas pelo absurdo do livro ser realmente um “guia de sobrevivência” propriamente dito, com dicas de armamento e roupas a utilizar, lugares para se esconder e evitar, e é ricamente detalhado tanto na fisiologia dos zumbis e o vírus da “zumbificação”, o Solanum, quanto no tratamento social numa época em crise com mortos andando pelas ruas e governos impotentes em conseguir evitar a catástrofe.


Mas esse livre era apenas um aperitivo do que estava por vir. O autor estava nos preparando para o que viria. Em Guerra Mundial Z, um repórter busca relatos por todo o mundo referente aos acontecimentos pessoais durante os dez anos em que a guerra contras os zumbis ocorreram. Desde o inicio da epidemia, quando o governo chinês tenta esconder a infecção, passando pelos tráficos de órgãos infectados (com uma passagem vergonhosa no Brasil) até a infestação mundial.

O que mais chama a atenção é o realismo que Max tratou o tema, com entraves políticos e países em quarentena. Logicamente os zumbis são apenas uma desculpa para serem abordados assuntos atuais e problemas sociais. A crise da economia mundial tem seu enfoque da mesma forma que os problemas familiares. Um batalhão enfrentando zumbis tem a mesma importância que um nerd tentando fugir de casa com uma espada. Alguns relatos chamarão mais a atenção, outros tem seu foco na relação entre as pessoas e nem tocam no termo “zumbi”. Falsos heróis de guerra são honrados enquanto verdadeiros se perdem em “necessidades governamentais”. Vacinas fraudulentas são comercializadas fazendo indústrias farmacêuticas crescerem na contramão da crise financeira entre os países, refugiados fazem alguns países entrarem em guerra, líderes religiosos terão sua fé testada até as ultimas consequências, enquanto no mundo a desigualdade social ainda impera.


O filme estrelado por Brad Pitt é só mais um filme de zumbis e não tem relação com o livro além do nome. Se fossem abordados os temas do livro, poderíamos ter uma boa série. Fato curioso entre filme e livro é que no filme, a procura pela cura é um fator decisivo para que haja algum tipo de esperança, enquanto no livro a sobrevivência tem varias maneiras de se manifestar.