terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

FEITIÇO DO TEMPO


Ganhador de prêmio de melhor comédia de 1993, um filme simples que aborda um complicado tema nerd – o Time Loop (ou laço temporal). Tudo começa com o egocêntrico e mal-humorado repórter Phil Connors, famoso homem do tempo que não aguenta mais o tipo de trabalho que tem, irritando-se ainda mais quando é enviado “novamente” à gelada cidade Punxsutawney para cobrir o evento anual “o dia da marmota”, que dá o nome original do filme “Groundhog Day”. O que é para Phill um tormento, ver de novo um monte de caipiras reunidos em festividades pela cidade inteira, para que todos se reúnam em torno da toca da mascote de Punxsutawney, uma enorme marmota, e confirmar se ela olhará para própria sombra, o que pode antever se haverá ou não mais alguns meses de frio. O repórter se acha muito bom para esse tipo de matéria e a faz sem a maior vontade ou animação. Nas “coxas”.


Tenta de todo o modo fazer passar o dia o mais depressa possível, trata a todos da pior maneira e antecipa sua saída da cidade, o que é impedida por uma nevasca, adiando seus planos e o fazendo retornar ao hotel lhe restando apenas a escolha de dormir para no dia seguinte sair daquele lugar. Mas, ao acordar percebe que é a mesma data, o dia da marmota, onde todos os eventos começam a se repetir e apenas ele sente o que está acontecendo.

Bill Murray faz talvez seu melhor papel como o antipático repórter, que no começo tira vantagens da situação, já sabendo dos eventos que irão se repetir, mas vem o tédio e o dia da marmota começa a atormentá-lo. A música do rádio despertador é o estopim inicial relembrando diariamente ao Phil que tudo será como no dia anterior, com o mesmo evento, com a mesma marmota, dar oi para o cara de sempre quando sai do quarto e toma o mesmo café da manhã. A parte que ele se encontra diariamente com um antigo conhecido vendendo seguros é hilariante, sempre com uma reação diferente de Phil.


No começo você vai achando engraçado, até você começar a ter pena do personagem e imaginar-se em seu lugar. As coisas se complicam quando ele começa a se afeiçoar por sua produtora, interpretada pela sumida Andie MacDowell, que para ela, Phil não passa de um chato sem escrúpulos. Não importa o quanto ele mude, para a garota “e para todos na cidade” é a primeira vez que o dia da marmota acontece, o que ainda piora a situação.

Não é cansativo vê-lo fazer as mesmas coisas, pois ele sempre toma novas decisões que acabam mudando os rumos dos acontecimentos, mas que voltam ao que era antes no dia seguinte. Também não é informado quanto tempo ele vive o dia da marmota, mas nesse período ele aprende tocar piano, dançar e fazer esculturas de gelo muitíssimo bem, podendo ter vivido o mesmo dia por mais de dez anos. Já ouvi comentários sobre o roteiro em que Phil lia uma página de um livro por dia e no fim já havia lido a biblioteca pública inteira, mas isso não está no filme. O fato é que não é explicado como e por que ocorre o loop temporal, o que é muito interessante, pois o mais importante não é como ocorreu e sim o resultado disso. A lição é simples, faça tudo da melhor maneira possível e ajudando ao próximo. Para o personagem de Murray o aprendizado teve que ser na marra. Todo o dia. Todo o dia.