terça-feira, 27 de junho de 2017

BATMAN DE TIM BURTON


O filme Batman de 1989 foi um grande divisor de águas para mim. Com pouca idade, nunca percebi defeitos e escolhas ruins que hoje pode se notar, mas que para a época acredito que não tenham sido tão erradas assim. Em todo caso devo a esse filme minha admiração pelos quadrinhos, pois foi uma porta de entrada para um mundo maravilhoso, e também ajudou na minha predileção pelo personagem. Batman de longe é o herói que mais gosto nos HQs. Tivemos quatro filmes dessa franquia, mas apenas os dois primeiros, dirigidos por Tim Burton, garantem uma experiência visual até hoje memorável.

Logo no primeiro filme vieram críticas quanto a escolha do ator franzino Michael Keaton para o papel de Bruce Wayne, e digamos que apenas recentemente, após o filme Birdman, é que ele conseguiu dar a volta por cima.  Mas nunca senti sua escalação uma má escolha, devido ao olhar vislumbrado de uma criança vendo o Homem-Morcego todo obscuro e apavorante na tela, socando bandidos e se esgueirando pelas ruas da melhor Gotham City que já fizeram para o cinema. O uniforme do Batman, com boa parte feita de borrachas, atrapalhava os movimentos do ator, o que ajudou a dar aquele ar seguro e com economia de golpes, afinal Batman que se preze só precisa de alguns socos para derrotar o inimigo. Brincadeiras à parte, esses trejeitos ajudaram a criar a melhor animação do Batman já feita.


Acompanhando o grande sucesso do filme, o desenho do herói (leia aqui) teve muitos dos acertos do filme incorporados em sua produção. O Batmóvel perfeito, as sombras na cidade, a Batcaverna e principalmente o estilo do herói. Na versão nacional a dublagem foi sensacional, com o mesmo dublador do Coringa do filme. Sem contar a trilha sonora, onde Danny Elfman dá um show. Na verdade, há quem diga que a trilha sonora é o que o filme tem de melhor (já cansei de assobiar). Se em 89 tivemos a origem do herói e seu maior inimigo contada, em 92 Tim Burton estava mais livre para colocar seu estilo em prática, com árvores distorcidas e seu habitual ar gótico, que tão bem casaram com o personagem. Foi uma boa época para o diretor, com filmes de sucesso como Edward e Beatlejuice lançados a poucos anos e um dos personagens mais icônicos dos quadrinhos sob sua liderança.

Uma das reclamações dos fãs foi a importância que as produções deram aos vilões, que nos dois filmes de Burton e também nas continuações que se seguiram, eram melhor retratados do que o próprio herói, o que contribuiu para caírem matando ainda mais no intérprete do morcegão. Mas competir com os atores escolhidos como antagonistas era desleal. Jack Nicholson parecia ter nascido para o papel, roubando as cenas e relegando Keaton à segundo plano (leia aqui mais sobre o Coringa de Nicholson). No filme de 1992, Batman o Retorno, temos dois vilões para atazanar a vida do morcego, e ainda mais a de Keaton. Michelle Pfeiffer e seu uniforme de couro remendado se tornou fantasia popular, e até hoje é lembrada como uma das melhores aparições da Mulher Gato no cinema. E Dane DeVito interpreta com maestria o Pinguim que todos se lembram. Grotesco, louco e amedrontador. Com certeza você deve conhecer alguém que recebeu o apelido de Pinguim por causa desse filme.


Era outra época, outro cinema, outro público. A história era mais simples, não se levava muito à sério, entretanto ainda conseguíamos nos divertir. Os personagens coadjuvantes estavam ali só para dar apoio, e as fichas eram colocadas na atuação dos protagonistas, sempre uma superestrela de Hollywood, e a arte visual era um dos pontos fortes. Mas não era tão infantil, como nos filmes que vieram depois. O Coringa mata mais bandidos que o Batman, lógico que de maneira muito mais engraçada: eletrocuta um homem até virar caveira, fuzila um chefe do crime fazendo palhaçadas, o Pinguim morde o nariz de outro homem, espirrando sangue, come peixe cru, e a Mulher Gato esbanja fetichismo.

As histórias não seguiam com fidelidade suas origens dos quadrinhos. Se parar para verificar, quase nenhuma das origens ou acontecimentos seguem. Digamos que é um dos muitos mundos paralelos que englobam as HQs, tanto que até a ideia de continuarem a história a partir do segundo filme foi cogitada em HQ. Após os filmes de Nolan, parece que os antigos filmes foram muito menosprezados, com lembranças apenas à interpretação de Nicholson ou a música tema de Elfman. Talvez isso tenha sido culpa dos demais filmes de Batman, dirigidos por Joel Schumacher, ou a descaracterização da história. Ver os pais de Wayne serem mortos pelo Coringa e a Mulher Gato ser ressuscitada por felinos pode ter sido bem recebido por quem não conhece os HQs, mas os fãs não aceitariam isso hoje em dia, se bem que a origem dos vilões Duas Caras, Espantalho e Bane sofreram leve alteração nos filmes de Nolan. Concluindo, vale a pena relembrar essas duas produções, bem mais baratas que as atuais, mas artisticamente meritórias e Batman é Batman, ele sempre estará presente na memória dos fãs. Um herói que nunca morrerá.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

3 FILMES COM FINAL SURPREENDENTE PARTE 1


Depois de O sexto sentido e Os outros, filmes com finais surpreendentes se tornaram muito comuns nos cinemas, o que não é de se estranhar, uma vez que esses finais surpresas nos fazem sair do cinema com a pulga atrás da orelha. Não é algo novo, a série Além da Imaginação fazia isso em todos os episódios. Já no filme Os Suspeitos você é desafiado a assistir ao filme novamente para constatar o que viu na primeira vez. Você vê o filme direcionado a pensar uma coisa, e no fim percebe que foi manipulado. As pessoas saem da sala de cinema comentando, rindo, com um sentimento de empolgação, parecendo que acabaram de ver uma mágica. Há muitos estudos sobre o fato do ser humano gostar de ser enganado.   Segue abaixo três indicações muito boas:

Memórias Secretas (Remember) - 2015

Esse filme é uma grande surpresa, recebeu diversas críticas positivas e realmente é um achado. O idoso Zev (Christopher Plummer) sofre de demência e após a morte da esposa ele foge sozinho do asilo em que se encontrava para seguir um plano engendrado com seu amigo, Max (Martin Landau) que lhe daria suporte à distância. Ele prometera encontrar o nazista que matara sua família no campo de concentração em Auschwitz durante a Segunda Guerra Mundial. Sua única pista é o nome que o nazista escolheu para conseguir fugir após a Guerra, mas existem quatro pessoas com esse nome nos EUA. Armado, ele precisa visitar um a um e constatar se é a mesma pessoa. Mas sua demência o faz esquecer a todo momento seu objetivo e até mesmo onde está, não lembrando nem da morte de sua mulher.

A maneira como a história é contada te prende do começo ao fim. Plummer está fabuloso como Zev, e você se comove com suas tentativas de se lembrar do que se passa à sua volta, tendo apenas uma carta com lembretes do plano que deve seguir. O suspense é instigante, em muitas vezes você quer ajuda-lo, a trama é revelada com o tempo e você vai reconhecendo rostos conhecidos, como Dean Norris e Bruno Gans. E o fim não te deixa dúvidas de ter assistido a um bom filme.

Truque de Mestre (Now you see me) - 2013

Grupo de mágicos se reúnem para efetuar espetáculos que fabulosos, onde efetuam transferências bancárias para o público, praticam roubos em pleno palco à bancos do outro lado do mundo, fazendo chover notas na plateia, que surpresos contemplam algo que o FBI não tem a mínima ideia de como ocorreu. Como poder explicar um roubo real feito por mágicos. Apelidados de os quatro cavaleiros (os atores Jesse EisenbergDave FrancoWoody​ Harrelson e Isla Fisher), o quarteto desafia as autoridades, informando os seus próximos números de mágica, sendo responsabilidade do agente do FBI Dylan Rhodes (Mark Ruffalo) trazê-los​ à justiça. Eles não se incomodam nem quando o próprio agente faz parte da plateia que os assisti.

O filme em si é um truque de mágica. Esse mundo de truques e ilusões são bem mostrados na história onde vemos os dois lados do espetáculo, como os mágicos que orquestram o truque, e o público que cai nele.  Em ambos há uma graça, onde o mágico vê a reação de espanto do público, se deliciando com sentimentos de dúvidas, incertezas, confusão, etc., e o público com essa gama de sentimentos. A engenhosidade de cada "mágica" também gera surpresas, e o filme te ganha a cada truque feito. As tentativas e confusão do agente Rhodes são engraçadas, e até recebe a ajuda de uma agente da Interpol (Mélanie Laurent) e de ex-mágico que ganha a vida revelando truques (Morgan Freeman).  O elenco ainda conta com a presença de Michael Caine, que interpreta Arthur Tressler, o patrocinador dos Quatro Cavaleiros. A mágica do final é a melhor.

Corpo Fechado (Umbreakable) - 2000

Corpo fechado foi a esperada produção do diretor M. Night Shyamalan após seu grande sucesso anterior, O sexto sentido, e todos esperavam ver algo surpreendente, que deixassem de boca aberta, ainda mais quando Bruce Willis é escalado novamente pelo diretor. No entanto ele nos apresentou uma ideia no mínimo original, calcada em história em quadrinhos, numa história de busca por propósitos de vida. Willis é David Dunn, um segurança que sente premonições ao tocar nas pessoas, evitando assim alguns crimes, mas ele sempre tratou esse fato com normalidade, como se fosse uma intuição. Mas sua vida muda quando ele se torna o único sobrevivente de um desastre de trem, e sem nenhum arranhão.

Esse acontecimento chama a atenção de Elijah (Samuel L. Jackson), que nasceu com uma doença rara que enfraquece os ossos. Fascinado por histórias em quadrinhos, acreditava que por ele ter esses problemas de saúde, deveria existir no mundo alguém que fosse o oposto, e passa a procurá-lo, terminando sua busca com David, que nunca se feriu e também descobre ter uma força sobre-humana. Convencido que o segurança pode ser um super-herói, Elijah tenta a todo o custo inspirá-lo. O filme não é cheio de ação como nas produções de heróis que se está acostumado. Aqui o relacionamento de David com a família e os dramas psicológicos dos personagens são priorizados. Para quem gosta de quadrinhos é uma boa pedida.



quarta-feira, 21 de junho de 2017

REVISTA MUNDO DOS SUPER-HERÓIS


Posso​ dizer que sou um dos vários felizardos que possuem todas as edições da revista Mundo dos Super-Heróis, guardadas na ordem, e seus especiais também. A primeira coisa que lembrei quando vi a revista nas bancas foi da extinta e saudosa revista Herói, em formato pequeno, que comprava na década de 90. Mesmo que nessa época os Cavaleiros do Zodíaco eram uma verdadeira febre que estampou a capa de várias edições, não perdia uma. A palavra que mais me chamou atenção na nova revista (que já não é tão nova assim) foi a palavra dossiê e as capas feitas por artistas nacionais.

Nas primeiras dezenas lançadas, no começo bimestralmente, a matéria de capa era um verdadeiro dossiê sobre o assunto. Algumas possuíam mais de 50 páginas, com informações e curiosidades de determinado herói ou equipe de super-heróis e várias outras matérias englobam as edições. Ao final da leitura você se sentia um Expert no assunto. No meio de cada edição um pôster com a arte de capa, onde no verso haviam informações de como a capa foi feita.  Até hoje eu releio essas antigas edições, que utilizo como fonte de pesquisa.


Com o tempo a revista foi modificando algumas matérias, as dinâmicas dos dossiês foram alteradas e houve uma época que até senti uma descaracterização do que eu gostava na revista. Mas depois percebi que a equipe responsável estava buscando um caminho, uma nova identidade. Mudanças e reinvenções são necessárias. Tudo começou em 2006, sendo o estranho filme do Superman desse ano a primeira capa da revista. De lá para cá houve uma explosão de filmes de super-heróis, além de séries, e atualmente seguem a linha de aproveitar as produções que estreiam nos cinemas para suas matérias principais. Mas volta e meia aparece uma edição sobre um assunto fora desse escopo. Não se pode dizer que eles não arriscam, errando em algumas escolhas, mas os acertos são bem maiores e compensam a coleção.


Foi lançada uma revista irmã, a Mundo Nerd, que até gostava mais do que a original, mas durou apenas 12 edições, sendo considerada uma coleção a parte. Outros dois pontos positivos são o tratamento que o grupo tem com os fãs e leitores, e o espaço que eles oferecem para artistas nacionais. Mais do que uma fonte de pesquisa, utilizo a revista mais como indicações. Um trabalho que merece ser lido e apreciado, muito bem-feita, você fica conhecendo cada colaborador no início das edições, com seus avatares e apelido, e pode assinar direto no site da Editora Europa.

As matérias que não faltam em cada número, que já passam dos 80, são Peneira Pop - onde há comentários e indicações de HQs ou filmes lançados recentemente, Homem Cronologia - que respondia várias dúvidas dos leitores, Fichado - um mini dossiê sobre determinado vilão dos quadrinhos, entre outros. Percebo que há uma predileção pelo Superman nos assuntos abordados, mas isso não prejudica em nada o trabalho deles. Confesso que sinto falta dos dossiês de antigamente e também da Mundo Nerd, mas que nerd pode ser contentando?

segunda-feira, 19 de junho de 2017

DEUSES AMERICANOS


O livro Deuses Americanos é a prova de que Neil Gaiman não teve um surto de criatividade apenas em Sandman, trabalho pelo qual ele invariavelmente é lembrado. As histórias de Lorde Morpheus (leia aqui) é sem dúvida um dos melhores Comic Books que já existiu, no entanto, a nova série da Amazon veio nos mostrar mais da criatividade do autor. É uma ideia interessante mostrar os antigos deuses tentando de alguma forma sobreviver numa humanidade que não os idolatra mais. Para quem gosta de Netflix está aí mais um serviço que vale a pena assinar. Acredito que daqui para frente a Amazon irá intensificar seu marketing no Brasil, e Deuses Americanos está sendo o carro chefe.


Shadow Moon (Gillian Anderson) teve sua saída da prisão adiantada em cinco dias devido à morte de sua mulher. No caminho até o velório ele conhece o Sr. Wednesday (Ian McShane) que lhe oferece um emprego de guarda costas, que ele não aceita, pois iria trabalhar com seu antigo amigo. Mas depois de descobrir que sua mulher morreu num acidente de carro junto com o amigo durante um dos muitos encontros extraconjugais, não lhe resta escolha a não ser aceitar o trabalho do Sr. Wednesday. No começo ele acha que seu novo empregador é biruta, mas com o tempo ele percebe que seu chefe é muito mais do que aparenta. Trabalhando como chofer, os dois atravessam várias estradas americanas nas diversas buscas e destinos tão importantes para amalucado Wednesday e tão absurda para o descrente Shadow Moon, que aos poucos vamos entendendo que há uma batalha num mundo que o protagonista não conhecia e que caiu de cabeça.

A América recebeu pessoas do mundo inteiro e com elas vieram suas culturas e religiões, com seus deuses e entidades. Com o tempo essas crenças foram perdendo adeptos, relegando essas entidades ao esquecimento e as transformando em mitos do passado, sem pessoas para idolatrar ou acreditar. Na contramão o ser humano encontrou outros deuses para adorar, de uma maneira diferente, mas ainda assim muito referenciada, como a mídia, a internet, o dinheiro, entre outros, que possuem avatares nesse mundo que Shadow está descobrindo e notando que tantos os deuses antigos e novos estão numa guerra que ele tem extrema importância.


É legal ver como os vários deuses antigos são nos apresentados e como eles agem e sobrevivem nos dias atuais, e ainda mais interessante é assistir as introduções de alguns episódios mostrando como muitos desses deuses vieram parar nos EUA, seja num navio negreiro ou numa necessidade Vicking de sair dessa terra, ou seja, por intermédio de ídolos encontrados e levados para museus. Já os novos deuses aparecem de diversas formas para Shadow Moon, sempre de acordo com a idolatria que representam.

Parece estranho logo um serviço de streaming apostar numa ideia dessas, mas American Gods vale a pena. Uma produção cara que vai fazer muita gente trocar o Netflix por algumas horas do dia. Na verdade um chamariz para que você conheça o produto e se encante com outras produções, o que é inevitável. Ian McShane está ótimo como Wednesday, ou Odin, se preferir. Há violência e cenas de sexo, mas todas têm um propósito, como a deusa que absorve seu par pela genital durante o sexo. Outro ponto que conta é a série ser em vários momentos um road trip, com longas rodovias e hotéis à beira de estrada. O melhor é investigar os vários deuses citados e pesquisar suas origens na internet. Ouvi dizer que Neil Gaiman esteve nesses hotéis, mas ele não garante. Mas American Gods merece uma olhada, com oito episódios muito bem feitos. Vale a pena.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

O COMPLEXO DE CHIMPANZÉ


Quadrinhos europeus são perigosos, porque viciam. Mas esse perigo faz bem para quem lê. Basta ler os três volumes do trabalho de Ricardo Marazano e Jean-Michael Ponzio, intitulado O complexo de chimpanzé que você terá sua dose aplicada. A narrativa cinematográfica de Marazano e a arte fotográfica de Ponzio só te fazem querer ler mais obras dessa dupla, unidos ou não. A maneira como o autor induz a história, com surpresas e mistérios instigantes, não te dão escapatória a não ser ler tudo de uma vez, sem conseguir parar. E em muitos momentos você fica contemplando o realismo no traço de Ponzio, ficando curioso de conhecer seu trabalho fora dessa esfera espacial.


No ano de 2035, após ter seu programa espacial cancelado por mais 30 anos pelo governo, Helen Freeman tem que esquecer seu o sonho de ser o primeiro ser humano a pisar em Marte e poder dedicar mais tempo à sua filha, sempre relegada à segundo plano devido ao trabalho de sua mãe, reconhecida como a mais experiente astronauta americana em atividade. Mas seus novos planos de passar mais tempo com a filha e novamente colocado de lado quando uma missão importantíssima, e estranha, é proposta à Helen, reativando novamente seu sonho estelar. Uma capsula espacial cai no Oceano Índico e é resgatada com tripulantes vivos, e suas identificações causam comoção na altas esferas governamentais dos EUA e na NASA. Tratam-se de Neil Armstrong e Buzz Aldrin, os primeiros homens a pisar na lua em 1969, retornando de sua missão na Apolo 11, após 66 anos no espaço.

Depois de algumas investigações na cápsula e testes nos dois astronautas foi contatado que ambos são quem realmente dizem ser e o equipamento é o mesmo que saiu da Terra 60 anos antes. Restam as perguntas: Por que não envelheceram? O que faziam esse tempo todo no espaço? E a maior questão de todas, quem são os dois tripulantes que voltaram para a Terra naquela época e morreram décadas depois em nosso planeta. Helen fica incumbida de interrogar os dois astronautas e tentar decifrar esse enigma, que apenas terá respostas no espaço.


A história brinca com eventos reais e personagens históricos, como Yuri Gagarin e os já citados astronautas da Apolo 11. A trama gira em torno de Helen e a investigação de fatos secretos da a corrida espacial durante a Guerra Fria, como uma possível viagem dos russos ao planeta vermelho. Em muitos momentos lembrei do suspense de Alien, em outros conseguimos vislumbrar 2001:  uma Odisseia no espaço. Não há muita ação, mas o clima de perigo e mistério está presente nos três volumes. O tempo é intrigante e a mente humana também. Esses dois assuntos são tratados na trama de uma maneira inteligente, onde tanto a aventura principal e o drama paralelo da pequena Sarah que não tem a presença da mãe em sua vida são importantes.

O complexo de chimpanzé é o efeito de perder sua capacidade de raciocinar ou compreender quando colocado numa situação em que não está acostumado ou que lhe gere pânico, não podendo interferir no resultado, e por conseguinte perder a razão e controle de suas ações. Leva esse nome devido aos experimentos com os símios que serviram de cobaias para missões espaciais. O tempo é com certeza a fonte de muita explicação e incertezas, e lendo essa história não teremos a verdade explicada, muito pelo contrário, surgirão muitas outras perguntas. Mas nada nos impede de nos divertir no meio dessa busca por explicações.