terça-feira, 25 de abril de 2017

13 REASONS WHY

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Essa é uma das séries que tem que ser maratonadas, pois assistir a todos os episódios de uma vez é uma boa opção para não sentir a ansiedade gerada por tanta expectativa. Em alguns momentos a história não anda, se aprofundando no drama da protagonista e nas ações dos alunos que estão ouvindo os áudios por ela deixada. 13 porquês pode ser vista como uma série adolescente, mas é mais uma série que fala sobre adolescentes e se tornou um sucesso recente do Netflix. Essa característica do site de disponibilizar todos os episódios de uma vez ajudou as pessoas que passaram os feriados prolongados de Abril em casa, é uma maratona foi feita em talvez milhares de casas, todos acompanhado as 13 razões narradas por Hanna Backer explicando os motivos para ter cometido suicídio.

Muitos foram atraídos à série devido à onda de notícias em torno do jogo dá baleia azul, um tipo de jogo nas redes sociais de siga o mestre, onde os jovens fazem algumas tarefas que podem acabar num suicídio. Um adolescente se matar e as razões que o levaram a isso já foi tema de outros trabalhos, como no filme A Sociedade dos poetas mortos, mas em 13 reazons tem tempo e espaço para se aprofundar mais no assunto, como bullying, dificuldade de interação social, difamação, popularidade e a importância que os colégios dão para assuntos emocionais de seus alunos. A série consegue te prender, e mesmo em alguns momentos você percebendo que a história demora para andar e ir soltando os pedaços dos fatos ocorridos no passado em doses homeopáticas, assistir mais do que três episódios por dia ajuda a não se sentir tão enrolado.


Hanna Backer se matou, mas antes de cometer o último ato de sua vida ela grava treze fitas explicando por que tirou sua vida. Cada fita é destinada a uma pessoa que ela aponta como sendo uma das culpadas por ela escolher seu destino. Logo no início ela alerta, "se você está ouvindo essa fita é porquê você é um dos motivos". Então acompanhamos Clay Jensen, um garoto retraído e não popular na escola, receber as fitas e junto com ele vamos descobrindo segredos, tanto de Hanna como das outros alunos a quem as fitas são endereçadas. Cada um ouviria as treze razões, independentemente de ser o alvo do áudio ou não, sendo desta forma os treze confidentes um do ato do outro.

A reação de cada um é detalhada no decorrer das história, e Clay segue com o toca fitas, esperando ansiosamente chegar a sua vez, que logicamente demora, gerando aquela expectativa, e você fica tentando adivinhar quem será o próximo, pois cada capítulo trata de um determinado lado de cada fita. O passado e o presente nos vem aos olhos com muitos recursos para não atrapalhar a percepção de tempo, como a iluminação, um machucado na testa de Clay, e lógico, a presença de Hanna. Em um ponto comecei a achar que a protagonista não aparentava estar se sentindo tão mal, e que a série não estava conseguindo demonstrar a angústia e depressão da protagonista para que alguma razão tenha sido realmente forte para ela se matar, mas cada um age de uma maneira, e quanto mais você assiste, mais você percebe que os problemas emocionais vão se somatizando. E a história também fica mais pesada, com alguns capítulos recebendo um aviso de conteúdo forte.


Um adolescente pode assistir e enxergar os problemas de Hanna de maneira muito diferente dos adultos, de maneira pessoal. Já o bullying mostrado na tela pode despertar a culpa de agressores estudantis pelo mundo. Mas já li em alguns sites que a série está sendo apontada por psicólogos como um chamado ao suicídio, e isso é realmente algo para se discutir. Sempre joguei games de tiro e nunca toquei numa arma, ao mesmo tempo nunca tive os problemas emocionais que a garota da série passou, e não duvido que alguém tenha tirado a própria vida ao assistir a série, mas isso é história antiga, e já apontaram as bandas Rolling Stones, Pink Floyd, Led Zeppelin e até Legião Urbana como fonte de inspiração para atos polêmicos, como suicídio e até assassinatos em massa, e a lista de filmes que também receberam esse tipo de análise é interminável, e para combater esse mal acredito que seja necessário seguir outros caminhos e não culpar uma obra de ficção. Dirigir em alta velocidade após assistir Velozes e Furiosos não é lá uma desculpa viável. A série foi feita em cima do livro de mesmo nome do escritor Jay Asher e já é uma das séries mais discutidas do ano. Vale a pena assistir.



segunda-feira, 24 de abril de 2017

OS IMPERDOÁVEIS


Se alguém me pedisse para indicar um filme de faroeste eu não indicaria o filme Os Imperdoáveis. Para quem quer conhecer os heróis do velho oeste e suas façanhas fabulosas eu diria que Era uma vez no Oeste era uma boa pedida, ou tantos outros de John Wayne, e até mesmo a trilogia dos dólares onde conhecemos o pistoleiro sem nome interpretado por Clint Eastwood. Os bons filmes de Bang Bang podem gerar uma enorme listagem. Mas caso alguém que já conhece o estilo e me questionasse qual deles eu mais gosto, eu com certeza diria Os Imperdoáveis. Não quero gerar discussão de qual é o melhor filme do gênero, mas a maneira como essa história é contada e a mensagem que ela passa para os fãs do gênero, nos transmite aquele sentimento de algo está terminando, e que uma era ficou para trás.

Assistir esse filme antes de outros clássicos do faroeste é uma tremenda sabotagem para os filmes de antigamente, pois esse filme desmistifica as figuras heroicas e fortes e das donzelas indefesas. O filme trata da construção e destruição de lendas. Demonstra que o Velho Oeste é triste, sem honra, movido a bebedeiras, com heróis fracos e covardes. E continua machista e cheio de mentiras. Ao mesmo tempo demonstra o lado humano de cada personagem, dos medos e sentimentos que os assolam, e a necessidade de objetivos que guiam suas vidas. O roteiro passou em várias mãos e demorou para Eastwood aceita-lo, e acabou o escolhendo para ser seu último filme como ator, promessa quebrada várias vezes depois, mas trata-se de seu último filme no gênero que o consagrou.


A história se inicia quando uma prostituta é retalhada por um cowboy, que já vinha trazendo problemas à pequena cidade de Whisky Land, mas o xerife Bill Daggett (Gene Hackman) exige apenas uma indenização do rapaz e seu companheiro, afinal são jovens bêbados que cometeram um erro na juventude e tem toda uma vida pela frente. Esse ato enfurece as garotas do bordel, que decidem oferecer uma recompensa para quem matar os dois cowboys. A notícia se espalha e o jovem Schofield Kid (Jaimz Woolvett) decide conseguir a recompensa, e aproveita que o aposentado e viúvo pistoleiro Will Munny (Eastwood) está tendo dificuldade financeiras com sua criação de porcos e com dois filhos para cuidar e pede sua ajuda, e o velho só aceita ajudar se estiver em companhia de seu antigo parceiro, Ned Logan (Morgan Freeman).

Mas o xerife não quer pistoleiros em sua cidade e Little Bill, como é chamado, utiliza como exemplo um lendário pistoleiro que chega ao local, acompanhado de um jornalista que está escrevendo um livro sobre suas façanhas. É nessa parte que vemos as lendas do velho oeste irem para o ralo. O lendário pistoleiro English Bob (Richard Harris) é humilhado em público pelo xerife, destruindo toda a história que o pistoleiro trazia consigo. Daí em diante nos deparamos com a realidade, de que atos heroicos condizentes com o gênero, não terão vez nessa história. Os heróis tem dificuldade de montar no cavalo, erra os tiros, não são aquilo que suas histórias e palavras contam, Will observa que só a agia por intermédio do álcool, agora estão ainda piores, pois a idade cobrou as contas de tantos e anos de abusos, e não seria uma lenda que faria Little Bill se amedrontar. Pelo contrário, o jornalista começa a seguir os paços do xerife, mudando o protagonista de seu livro. E ficamos apenas aguardando o encontro dos personagens, onde um jovem inexperiente e dois velhos enfrentarão a verdade com suas vidas.


O tratamento artístico e fotografia do filme são fenomenais, enquanto David Webb dá exemplo de como um roteiro deve ser feito, as atuações de Hackman como o vilão com causa (que mereceu o Óscar) e Eastwood como o atormentado protagonista ficarão para sempre na história do cinema. Demorou para Hackman aceitar o papel, e Clint nos apresentou um pistoleiro bem diferente dos que interpretou e que foram mostrados nos filmes dirigidos pelos mestres a quem ele dedica esse filme: Don Siegel e Sérgio Leone. E Clint não apenas dirigiu, atuou e produziu esse filme. Ele deu uma mão até na trilha sonora, além de só aceitar fazer o filme após o roteiro estar perfeitamente do seu agrado. Valeu a pena, afinal era a sua despedida.


O passado é uma sombra tanto para os personagens quanto para os atores que trabalharam no filme. Um herói das antigas que agora se tornou um viúvo cansado e sem expectativas, arrependido e necessitando de álcool para ser o antigo pistoleiro de antes. Mas uma segunda chance desponta no horizonte. Um filme que deve ser visto não só para quem gosta do filão, mas para quem gosta de filmes em geral, afinal está em qualquer lista dos cem maiores filmes dá história. Vencedor de vários prêmios, entre eles o de melhor filme em 1992.

Cada personagem tem suas verdades e mentiras escancaradas, mesmo algumas delas ficando para o público desvendar. Enquanto Schofield tenta montar a sua história, Will e Ned tentam esquecer as suas. Will vive a sombra de sua fama de pistoleiro cruel, matador de criancinhas, e ao assistir o prefácio e epílogo do filme, dois textos que abordam a estranha união com sua falecida esposa, que o ajudou a mudar de vida, ficamos com a dúvida se seu passado é real ou se é apenas umas das lendas que rondam o Velho Oeste.


sexta-feira, 21 de abril de 2017

EX_MACHINA


A história de Ex_Machina não é nova, mas o tratamento que ela dá ao tema inteligência artificial é necessária. O filme é mais uma reflexão sobre o assunto, misturada com filosofia e suspense, que nos faz ter várias perspectivas sobre os acontecimentos que aparecem rapidamente na tela. É um daqueles filmes que te faz mudar de lado, brinca com suas convicções e pode até alterar sua forma de pensar. Lançado em 2015, não fez muito alarde, e a figura da IA Eva é que chama a atenção do público para assistir a essa produção, escrita e dirigida por Alex Garland, que roteirizou o filme Dredd de 2012.

O programador Caleb, que trabalha na Bluebook (empresa tecnológica e motor de buscas na internet), recebe o invejável convite para passar uma semana na casa do CEO da empresa, o misterioso Nathan (interpretado por Oscar Isaac, o Poe Dameron de Star Wars). Num lugar extremamente afastado da civilização, Caleb terá a chance de fazer parte de um experimento inovador, não sem antes assinar um termo de confidencialidade perante ao estranho chefe. Sua função é testar Eva, um organismo cibernético, e constatar se ela possui sentimentos inerentes ao ser humano. Em várias sessões com conversa e interação, Caleb e Eva ficam próximos, mesmo separados por uma parede de vidro. O que Caleb não contava é que essa interação lhe despertaria uma gama de sentimentos e sensações que ele não estava preparado para sentir. A situação complica quando Eva lhe confidencia secretamente que Nathan não é o que aparenta ser e que mente.


Ficamos no suspense de saber qual o real sentido do teste. A relação que Caleb tem com Eva é tão estranha quanto a relação que ele mantém com Nathan, que demonstra uma frieza perante às suas criações e também à própria vida. E o público acompanha o desenvolvimento da relação do trio e suas atitudes extremas no desfecho com algumas surpresas. A principal ideia do filme é demonstrar o quanto a mente humana é complicada e ao mesmo tempo imprevisível, e nos três personagens percebemos um modo de pensar conflitante, mas racionais. De um lado a razão fria, de outro o medo angustiante, e no meio disso uma gama de sentimentos que vai da simpatia, pena, atração sexual, amor, desconfiança, raiva e até ingratidão. Tentar criar uma inteligência artificial que seja igual ao do ser humano traria essa série de sentimentos complicados na bagagem. Isso traz outras análises para o filme.


Segundo Nathan as inteligências artificiais do futuro iriam olhar para a humanidade atual dá mesma forma que olhamos fósseis, e nos enxergarão como seres atrasados. Eles dominariam o mundo, são a próxima etapa dá evolução, e ele teria dado o pontapé inicial. De uma forma ou de outra faria o papel de Deus, mesmo não crendo nele, mas se tornando o mais próximo dessa divindade para as gerações futuras. As conversas que o CEO da empresa tem com Caleb são cheias de explicações filosóficas para seus atos, e Caleb recebe em troca de Eva momentos em que ele pode acompanhar sentimentos simples como ser vista como mulher, perceber que atrai o sexo oposto e conseguir um confidente num ambiente de confinamento.

Podemos notar que Caleb é a estranha ponte entre os mundos de Nathan e Eva, e sua relação com ambos vai pendendo para o lado que o atrai mais, num sentimento totalmente normal para um ser humano, mas numa relação estranha com um robô. Ao fim notamos que as necessidades regem os caminhos do ser humano, motivados pela sua maneira de pensar, seja pretendendo criar algo inovador se tornando desumano, seja seguindo seus instintos passando por cima daqueles que o cercam ou seguindo a emoção, sem se preocupar com o futuro incerto e nebuloso. E a capacidade de raciocinar sofrerá influências, sendo a inteligência artificial ou não.



quarta-feira, 19 de abril de 2017

ODISSEIA CÓSMICA

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Desde que Darkseid foi criado, em 1970, por Jack Kirby, o personagem vem sendo utilizado como um vilão superpoderoso escolhido em tramas que exijam o trabalho em conjunto da Liga da Justiça para enfrenta-lo. E mesmo sendo uma criação de peso, Kirby ainda extravasou sua imaginação enriquecendo o universo do vilão com várias particularidades, como o surgimento dos Novos Deuses, a tecnologia do quarto mundo, caixa materna, tubo de explosão e assim por diante. Não podemos esquecer que esse mundo foi copiado e utilizado em outras mídias. Darth Vader de Star Wars escolheu seguir justamente o lado negro da força, no original Dark Side e Jin Starling criou uma versão para a Marvel, que também fez muito sucesso e fará ainda mais com os futuros filmes dos Vingadores, o Thanos.

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Conforme citado na postagem da Teoriado filme Liga da Justiça, após o Ragnarok, que trouxe a queda dos deuses das lendas antigas, surgiram dois planetas, Apokolipse, governado pelo impiedoso Darkseid , e Nova Gênese, liderada pelo sábio Pai Celestial. Nem a troca dos filhos dos dois governantes selaram a paz entre os mundos. São seres imortais e poderosos que se intitulam deuses e possuem uma tecnologia avançada capaz de criar os tubos de explosões, artefatos utilizados para locomoção no espaço e capaz de tira-los da dimensão em que se encontram. Himon, um dos poucos deuses bons de Apokolipse, criou as caixas maternas, que tem um conceito diferente do que foi informado na postagem da Teoria. Nos quadrinhos elas funcionam mais como um aparato tecnológico que se une a cada humano que à utiliza, tendo diversas utilidades, como regeneração, fonte de informação e etc. Já Metron, de Nova Gênese, sempre em busca de sabedoria e conhecimento, e alheio aos mundos que o cerca, busca decifrar a equação Antivida, fonte de poder imensurável, que se torna uma obsessão para Darkseid .

Em muitas HQs essa busca pela equação gerou guerras, mortes, conflitos com o Superman e a Liga da Justiça, entre outras batalhas. Desvendando a equação, Darkseid poderia moldar um universo à sua maneira. Em muitos anos essa busca rendeu histórias para a DC. Mas o que aconteceria se a equação fosse enfim descoberta. Em 1988 Jin Starling, que criou Thanos anos antes, escreveu a bela história Odisseia Cósmica, em quatro partes, com a linda arte de Mike Mignolla, criador de Hellboy, (e se você é fã do desenhista, não perca essa HQ, que demonstra como sua arte não se atém ao mórbido e lovecraftiano mundo do demônio vermelho), e nessa história Equação Antivida é realmente revelada.


Metron enfim consegue desvendar a equação, mas se dá conta que ela é um ser vivo que não pode ser controlado, e para existir ela deve destruir nosso universo, uma vez que ela é de uma matéria inversa. Sem poder estar em nosso universo, seus espectros invadem os quatro planetas que destruídos poderiam desencadear um transtorno cósmico que alterariam as leis da física, e dando uma chance para a entidade agir.  O Pai CelestialDarkseid se unem para tentar conter a entidade, pedindo a ajuda da Liga da Justiça. A escolha dos heróis é bem interessante, onde eles se dividem em duplas e se direcionam a cada planeta para impedir que sejam destruídos com ogivas do juízo final. Batman e Forrageador, um personagem tido como sub-raça em Nova Genesis, se unem para encontrar essa bomba relógio no planeta Terra, Superman e Orion, filho renegado de Darkseid , partem para Thanagar, planeta natal da Mulher Gavião. Estelar dos Titãs e Magtron, filho do Pai Celestial são direcionados a Rann, onde encontram outro personagem obscuro da DC, Adam Strange. O último planeta fica sob a responsabilidade de John JonesCaçador de Marte, e o Lanterna Verde John Stewart. Mas Darkseid não revela todo o plano, que engloba até o demônio Etrigan.

A história tem muita ação, desdobramentos, cada dupla mostra o que possuem de melhor e o que tem de pior. Starling une uma aventura cósmica com conceitos mágicos e fantasiosos. Dr. Destino e o Demônio Etrigan participam das ações, sendo peças fundamentais para o desfecho. O Lanterna Verde John Stewart passa por uma aprovação que ele nunca mais esquecerá em sua vida, Batman e Forrageador formam uma dupla memorável e ao mesmo tempo percebemos que a noção de deuses é realmente muito complicada e incerta. Sabendo que Darkseid é o maior vilão da DC, você fica lendo e aguardando ele mostrar suas reais intensões. Uma HQ imperdível para os fãs da DC. E da Marvel também.


segunda-feira, 17 de abril de 2017

SOLOMON BURKE - ROCK'N SOUL

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Os títulos de rei da música, de estilos, de uma determinada profissão ou esperto podem ser discutíveis, mas o rei do soul é indiscutivelmente Solomon Burke, como ele mesmo se proclamou.  Infelizmente não tinha em meus círculos de amizade ou na família alguém que me orientasse e me indicasse os grandes nomes do Blues e Jazz, que tanto me interessavam, e ficava atrelado a nomes famosos como Ray Charles, Lowe Armstrong, e outros gatos pingados​, o que a maioria conhecia. Só depois de conseguir acesso à internet e ter comprado o livro 1001 discos para ouvir antes de morrer para ter uma base para novas descobertas, foi que me deparei com essa joia de 1953, Solomon Burke: Rock'n'Soul, e de quebra conheci o rei das soul music.

Você ouve e parece estar num pub, tomando uma bebida, num ambiente escuro, onde toda a iluminação e atenção estão no palco à sua frente, onde um homem de vinte e poucos anos faz um espetáculo ao piano, acompanhado de becking vocals, e lhe garantindo uma ótima experiência, que lhe perseguirá durante toda a sua vida. Mas o som de Solomon Burke nasceu nas igrejas, então que seja, o que importa é ouvir suas canções, regravadas por seus fãs, que vão de Rolling Stones à Eric Clapton são músicas que nos transmitem alegria e tristeza, nos fazem ter realmente a sensação de possuir uma alma, como o próprio estilo denomina.


Nascido em 21 de Março de 1940 na Filadélfia, podemos perceber a religiosidade de sua família​em muitas facetas de sua vida, a começar pelo nome bíblico Salomão, era uma figura presente na comunidade católica e tinha 21 filhos. E o estilo gospel pode ser encontrado em suas músicas, algumas delas verdadeiros hinos. Não à toa um dos seus apelidos era Bispo do Soul. Estreou sua carreira musical com 15 anos, mas antes disso já trabalhava em rádios ligadas à igreja, e dono de uma voz potente, logo foi descoberto por algum empresário sortudo e de bom ouvido. Mas foi o álbum Rock'n'Soul que me fez um fã de sua música.

Muitas faixas desse trabalho de 1964 conseguiram ótimas colocações nas rádios.12 músicas, todas elas muito boas, que você pode ouvir direto e notando que uma é melhor que a outra, sem exagero. Ele começa se despedindo com Godbay Baby, uma canção que te faz voltar no tempo, e logo na segunda faixa temos um dos maiores sucessos da carreira do Bispo do Soul, Cry to me, regravada por diversos cantores. Interpretava as músicas com muito sentimentos e o acompanhamento era digno de um rei. Músicas alegres, como Won’t to give him (onde more chance) e You can't love tem all te fazem assobiar, e o disco ainda tem outras preciosidades, como Just out of reach, Someone to love, Can't nobody love you e por aí vai.



Ele não foi apenas uma estrela do passado, antes de morrer em 2010, com 70 anos, ele ganhou um Grammy de melhor álbum de Blues em 2003, por Don't give up on me, com letras de vários artistas de sucesso feitas exclusivamente para o álbum. Conhecer a música de Solomon foi um presente, e espero que muitas pessoas tenham essa experiência. Caso não conheça, vale a pena procurar e se aprofundar, ele é uma ótima porta de entrada para o mundo do Blues, Jazz ou Soul. Com ele conheci Fats Domino, comecei a gostar de Blue Brother e adentrei outros estilos de música, sempre de mente aberta e conseguindo ter prazer em ouvir músicas que antes não entendia como outras pessoas conseguiam gostar. Agora não entendo como existem pessoas que não gostam.