sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

SER NERD É SER CHATO?


“Os filmes de Zeck Snyder são muito escuros e lotados de cenas de câmera lenta”, “Os filmes da Marvel têm piadinhas forçadas a cada três minutos de filme”, “o Mad Max quase não abriu a boca em seu último filme”, “O despertar da força é uma cópia do Star Wars de 1977”. Realmente agradar os nerds não é tarefa fácil. Nunca foi, e hoje em dia o público que assiste filmes de super-heróis como um filme de ação qualquer, outros tantos querem se aprofundar no assunto, começam a ler os quadrinhos (os encadernados da Panini ajudam bastante os novos leitores), assistem novamente os desenhos animados, devoram séries e criam sua maneira de pensar, mesmo que seja manipulada por algum canal ou site especializado. Mas o que o nerd sente ao assistir à um filme de herói é como assistir a um amigo numa prova de atletismo ou num jogo. Você torce por ele.

Chovem canais no YouTube sobre quadrinhos e seus derivados. Os nerds invadiram todas as mídias, e a internet deu poderes para qualquer cidadão do planeta dar sua opinião, só necessita que tenha conexão e seja aberto para o mundo. Antes essas opiniões ficavam nas rodas de amigos ou conversas de escola. Hoje você pode entrar no Facebook, se direcionar para os milhares de grupos de filmes, HQs, séries, dar sua opinião favorável ou contrária à algum fato, e pronto.  O problema é que sua opinião de nerd veterano e amante da nona arte é confrontada com outras opiniões de pessoas que descobriram esse mundo apenas após assistirem ao filme, que nem gosta de HQs e em vários casos nem de cinema. Se por um lado tem aqueles que idolatram o Tony Stark de Downey Jr., há aqueles que o veem como um cara que já deu o que tinha que dar, já outros aplaudem Gal Gadot como a Mulher Maravilha e outros não enxergam onde a atriz parece uma amazona. Opinião é formada pela experiência e gosto de cada um, e não dá para filtrar quem é quem nesses grupos.


O Facebook virou uma guerra de torcida, os que gostam da Marvel e os que defendem a DC. Parece que há uma torcida para que um ou outro vá mal nas bilheterias, como se alguém ganhasse com isso. E as opiniões chovem, “O filme do Thor Ragnarok é uma babaquice”, ou “Liga da Justiça não é tão engraçado”. Temos que pensar que é natural os filmes não serem iguais, imagine só você não assistir Tarantino porquê não são iguais aos filmes do Scorsese. Ou esquecer Almodóvar, pois não tem nada a ver com os filmes Spielberg. Um filme de herói tem que ter a mesma forma só por ser filme baseado em quadrinhos? Alguns vão dizer que sim, pois é isso que o público geral espera, mas não é o que o público nerd quer. Os nerds que não eram nerds antes dos filmes, lerão os HQs e estranharão muita coisa. Já os veteranos nunca aceitaram bem o Wolverine de Hugh Jackman até seu último filme, que o transformou no melhor Logan que poderia existir.

Há o problema de a mídia ser diferente, o que funciona nos quadrinhos pode não funcionar nos filmes, e vice-versa. Os trabalhos de Alan Moore que os diga, muitos são infilmáveis da maneira como foram concebidos. Como investir milhões, verdadeiras fortunas, em um filme que não garanta renda? A maioria do público deve ser agraciada, e sabemos que a maioria não é nerd veterano, ok? Bilheteria não é sinônimo de qualidade, temos muitos clássicos que deram prejuízo e muita porcaria no top dez de arrecadação. E com isso vemos fórmulas sendo utilizadas de um filme para outro. Pôde ter funcionado no começo para a Marvel, mas nos filmes atuais percebemos que essa fórmula mudou de Homem de Ferro para os Guardiões da Galáxia. Aí vem o grande problema da DC.


Para quem gosta do Homem Aranha já deu para perceber o tipo de filme devemos esperar do escalador de paredes, com três atores o interpretando nos últimos 17 anos, houve diferenças, mas o estilo aranha estava lá. Utilizar a forma do Homem de Ferro para os demais Vingadores também era algo aceitável, e repagina-los aos moldes dos Guardiões é compreensível. Mas como fazer isso na DC? Christopher Nolan respeitou o estilo do Batman, Zack Snyder apresentou um novo estilo ao Superman, mas ao juntar os dois houve um choque desses estilos, que foi ainda mais forte no filme da Liga. O mundo de Batman é único, sombrio e amedrontador, bem diferente do kriptoniano. Um bom exemplo são os desenhos de Bruce Timm, onde todos têm o queixo quadrado e estilo de animação reconhecível pelos traços, mas ao assistir o desenho do Batman e Superman você nota a diferença. As luzes, os movimentos, as cores, a história, tudo segue sua maneira diferenciada de ser, e com a união dos heróis no desenho da Liga vemos uma união perfeita, na criação de um estilo próprio da Liga. Não era o desenho do Superman, nem do Batman: era a Liga da Justiça. O universo de cada herói da DC não é moldável para abraçar outro herói da editora, eles possuem vida própria e são tão importantes quanto os heróis que os habitam.

O filme da Liga seguiu a formatação dos filmes anteriores do Superman, com direção do mesmo diretor e teve problemas na produção. É mais difícil fazer um filme com tantos estilos diferentes, era necessário um estilo próprio, como nos desenhos. Mas ainda assim a LJA é um bom filme. A identidade dos novos filmes da DC ainda pode surpreender, como o ótimo filme da Mulher Maravilha (que tem sua própria personalidade). Dessa forma a DC iria agradar à maioria, como o seu desenho o fez. Agradando ao nerd, o que é bem difícil, poderá agradar multidões que trarão bilheteria. As opiniões descabidas são apenas opiniões, que devem ser respeitadas, mas também analisadas para conferir se tem fundamento ou não. Mas se é para fazer um trabalho ruim para agradar a multidão e receber lucro, cuidado: as continuações sofrerão com as más escolhas. E é muito bom ter opinião, mesmo que não siga a maioria. Eu mesmo quase apanho ao dizer que gostei mais de Rogue One do que O império contra-ataca (sem xingamentos por favor).

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

5 HERÓIS DA DC QUE MERECEM SEUS PRÓPRIOS FILMES

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Enquanto a Marvel está esgotando suas opções de trilogias e apostando em novos heróis, como Pantera Negra, Dr. Estranho e a futura Capitã Marvel, a DC ainda tem à sua disposição um grande número de personagens, mas precisam ser rápidos, pois esse estilo de filme está começando a ficar desgastado e necessitarão ser melhor trabalhados para agradar ao público. Na fila estão confirmados Batman, Flash, Aquaman, Shazam, Ciborg e notícias não confirmadas de Asa Noturna, Batgirl e Harlequina. Mas além desses, que temos certeza que são filmes garantidos para o futuro, há outros que merecem uma chance. Listei abaixo cinco que poderiam render ótimas histórias, sendo que outros poderão gerar futuras listas. Só para me desculpar, deixei de fora Sandman e Monstro do Pântano: como suas histórias possuem estilos únicos e são verdadeiras obras primas, fica difícil uma abordagem diferente dos quadrinhos e até fico com medo do que encontraria. Seguem os cinco:


Lobo

Após Deadpool ser lançado corajosamente pela Fox, seu sucesso abriu espaço para versões adultas dos heróis, ou anti-heróis, com cenas de violências e linguajar chulo, Logan é um grande exemplo disso. E a DC tem um dos personagens mais inadequados para as crianças que já existiu: Lobo, que tem atos, linguajar e história que deixam o alterego de Wade Wilson no chinelo. E ainda poderiam aproveitar a era de filmes espaciais da concorrente, como Guardiões da Galáxia e Guerra Infinita a caminho, e lançar um bom filme do Rei da Fodelança, como Lobo se descreve.

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Lobo é o último czarniano, afinal ele cometeu o genocídio que vitimou sua própria espécie no planeta Czarnia. Agindo como um caçador de recompensas espacial, ele viaja pelo espaço em sua enorme moto, tem seu nome estampado em cartazes de procurado em milhares de setores espaciais, adora charuto e não se separa de seu gancho que utiliza para estripar os inimigos. Tem diversos poderes, que ele vai conquistando em várias ocasiões pelo caminho. Desde superforça, regeneração, capacidade de criar clones com seu sangue, etc. Ele adquiriu imortalidade após não ser aceito nem no inferno nem paraíso. Ele é odiado por todos, não tem humanidade e é espelho da onda de anti-heróis que surgiram na década de 80. Foi criado por Keith Giffen, e quem conhece esse autor sabe até onde pode chegar essa história. Não seria uma novidade ver alguma notícia da Warner de uma futura produção com o personagem, que já saiu no soco com o Superman e já foi contratado pelo Coelho da Páscoa para matar o Papai Noel.


Arqueiro Verde

Desculpem os fãs da série, mas Oliver Queen merecia algo melhor. E potencial para estrelar seu próprio filme ele tem. Criado em 1941 por Mort Weisinger e George Papp, o Robin Hood da DC é um dos personagens mais queridos da editora. O que mais chama atenção é o seu estilo de pensar, tão bem trabalhado em algumas HQs e genialmente demonstrado no desenho da Liga da Justiça Sem Limites. Totalmente de esquerda, colocava seu ideal político à frente de suas ações, e não era difícil vê-lo saindo no tapa com outros integrantes da Liga que pensavam diferente, como o Gavião Negro. Em um episódio do desenho citado a pouco, ele conhece o Capitão Átomo e logo após o Capitão revelar que possuem um traje que contém sua energia atômica, ele simplesmente diz que isso é algo que ele lutaria contra no seu tempo de faculdade.


Oliver Queen é um rico herdeiro, que após um acidente de avião fica preso numa ilha, onde aprende a sobreviver por conta própria e a utilizar um arco e flecha. Após conseguir retornar à civilização ele decide combater o crime na cidade em que mora, Star City. Seu tempo na ilha mudou sua maneira de pensar, como se a sua sobrevivência fosse uma segunda chance em sua vida. Teve problemas empresariais que acabou o deixando na falência, mas ele já era outra pessoa, com pensamentos bem mais à frente do que um homem de negócios. O herói esmeralda possui bons inimigos, como o Macaco de Prata – líder de uma irmandade secreta de ninjas, Conde Vertigo, Slade (que na verdade é inimigo de todo mundo e será o próximo inimigo do Batman em seu filme solo) e logicamente o seu arqui-inimigo, o também arqueiro Merlin, que já pertenceu a Liga dos Assassinos de Ra's Al Ghul e é melhor no arco do que o próprio Oliver. Na verdade, gosto de pensar que o Arqueiro Verde tem mais senso de justiça do que técnica de combate, com mais ferramentas e flechas especiais, e o estilo parecido com John McCain de Duro de Matar – se ferra todo, mas não desiste. Seria bom assisti-lo nas telonas, quem sabe com a ajuda da namorada Canário Negro ou o parceiro Ricardito.


 Adam Strange

Um herói bem cult, e com alguns problemas que podem afasta-lo dos cinemas, mas que merece com certeza atenção. É que sua história é baseada nas aventuras escritas por Edgard Rice Burroughs que já virou filme (John Carter) e é muito parecida com a história de Adam, ao mesmo tempo temos um outro herói com o nome Strange recentemente nos cinemas (o mago supremo da Marvel). Adam foi criado em 1958 por Gardner Fox e fez sucesso no passado, Adam é um arqueólogo americano que foi atingido por raios cósmicos (o raio zeta) e transportado ao planeta Rann. Por conta do destino, acaba ajudando os habitantes do planeta a enfrentar invasores intergalácticos. Com um armamento e uniforme tecnologicamente avançados e foguetes acoplados em suas costas, Adam acabou se tornando o herói de Rann.


Seu dilema era que o raio zeta tinha pouca duração e ele era transportado sem prévio aviso para a Terra. Como nutria um grande amor por Allana, ele sempre viaja pelo mundo numa busca pelo próximo local onde o raio cósmico atingiria. Constituiu família, em histórias posteriores foi revelado que havia também o intuito de Adam repovoar Rann, que não tinha crianças, e até se encontrou com outros heróis da DC para combater inimigos em comum. Pode ser visto na minissérie Odisseia Cósmica (veja aqui), onde Rann tem certa importância, e até uma guerra contra o planeta Thanagar, planeta do Gavião Negro, já ocorreu. Em uma história interessante, Adam é atingido pelo raio zeta e levado ao local onde Rann havia desaparecido, onde é acusado pela destruição do planeta e numa grande aventura ele tenta descobrir o que ocorreu e provar sua inocência. Um herói que merecia aparecer mais em outras mídias.


Etrigan

Criado pelo rei Jack Kirby quando teve sua passagem pela DC, o demônio Etrigan é considerado um dos anti-heróis cult da editora. O legal do personagem é que seu status de demônio não é esquecido quando toma algumas ações e em alguns momentos ele age como um vilão, gerando morte e caos, motivo pelo qual Jason Blood tenta mantê-lo aprisionado a todo custo. Blood era um dos cavaleiros da Távola Redonda, que teve o corpo vinculado à criatura infernal pelo mago Merlin, que é meio irmão do Etrigan. Amaldiçoado a viver eternamente preso ao ser das trevas, que é liberado do corpo de Blood apenas se ele recitar um poema mágico, nos dias atuais ele age como um demonologista que atua ao lado da Liga da Justiça em algumas ocasiões e já ajudou Batman, Monstro do Pântano, Constantine, entre outros.

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Na forma humana Jason tem as características normais, com uma mecha de cabelo grisalha e sempre anda elegantemente, nunca esquecendo seus trejeitos de cavaleiro. Já Etrigan tem a pele amarela, olhos vermelhos e pequenos chifres, com estranhas guelras no lugar das orelhas e possui diversos poderes, como cuspir fogo, superforça e conhecimento de magia. Outra característica marcante é sempre falar por intermédio de rimas devido ao círculo infernal à que pertence. Etrigan é um personagem formidável que renderia ótimos filmes, que poderiam ocorrer na época medieval e atual, e inimigos interessantes não são problema. Além da temática arthuriana e infernal, Etrigan atravessa os tempos enfrentando Morgana Le Fay e seu filho Mordered, sempre prometendo comer o coração da bruxa quando pegá-la, e tem também o bruxo Klarion com enorme poder mesmo sendo uma criança. A dualidade nas ações de Etrigan e a tristeza de Jason por arrastar seu fardo pela eternidade são duas fontes ricas em dramaticidade para se ter num filme. E nada de produção com faixa etária baixa, pois seria desmotivador para assistir.


Vixen

Finalizando com uma mulher, Vixen é fruto do movimento blaxploitation da década de setenta que geraram Luke Cage e Pantera Negra para a Marvel. A modelo Mari McCabe possui um totem como herança de família, que lhe dá poderes de mimetizar as habilidades de qualquer animal. Sua família foi morta por caçadores ilegais na fictícia cidade africana M'Changa e vai para o Estados Unidos, utilizando o totem para se tornar uma super-heroína que já agiu ao lado da Liga, do Esquadrão Suicida e também das Aves de Rapina ao lado da Canário Negro e Oráculo. Sua versão do desenho da Liga da Justiça sem limites, que namora o Lanterna Verde John Stewart, é superinteressante. Seus poderes são similares ao do Homem Animal (que junto com Sandman e Monstro do Pântano é um personagem que merece maior destaque, mas precisa ser muito bem pensado para não se tornar uma bomba).


A fonte dos poderes do totem vem do deus africano Anansi, a aranha, uma versão que tão bem conhecemos está na série Deuses Americanos. Como o totem só pode ser usado para o bem, ao ser manipulado pelo tio da heroína, o General Maksai – que por sinal tem culpa na morte de seus familiares – ele se torna uma fera que deu trabalho para Vixen. Além da versão do desenho, na série Legends of Tomorrow há sua representante em carne e osso, mas o personagem pode vingar um filme solo com melhor qualidade. Há uma animação da DC Animated estrelada por ela, e esse é um indício de que a Warner está de olho na personagem.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

ASSASSINATO NO EXPRESSO DO ORIENTE


É agradável ir ao cinema assistir ao filme sobre uma obra literária de um autor que você venera e perceber que o trabalho foi muito bem feito e que a criadora foi respeitada. Ler um livro da Agatha Christie é tão prazeroso e surpreendente, que assistir a um filme que não te cause as mesmas emoções seria uma decepção, ainda mais se essa produção mostrasse o seu personagem mais icônico, o metódico e inteligente detetive Hercule Poirot. O ator e diretor Kenneth Branagh está acostumado a dirigir e encenar as peças de Shakespeare, e certamente teria um respeito por uma das melhores e famosas histórias de Agatha. A começar pelo seu próprio personagem, o famoso detetive, que segundo descrição da criadora, teria o maior e mais proeminente bigode de toda a Inglaterra. E assim ele o fez.

Com um elenco de estrelas, a história de Poirot escolhida foi o clássico Assassinato no Expresso do Oriente, que junto com O caso dos dez negrinhos são os livros mais famosos da rainha do crime, e talvez os dois livros com as conclusões mais impressionantes. Não sei se foi sorte ou azar, mas nunca li o livro, o que me fez ficar surpreendido com o desfecho (lógico, é Agatha Christie), e lendo o livro já saberia o que iria ocorrer. Por outro lado, o livro se for lido não gerará tanto impacto. Torço para o filme ser um sucesso de crítica e público, pois dá a entender que mais histórias de Poirot serão transformadas em filme, e claro que algumas das histórias que li serão escolhidas, e então terei a experiência de assistir um mistério que já sei o final e poderei fazer essa análise. Mas mesmo se você já leu o livro, não deixe de assistir, pois ficará deslumbrado com o tratamento que a história recebeu.


Hercule Poirot está bem desenvolvido, com algumas características um pouco mais evidenciadas, que lhe dão um ar cômico, não o transformando em um palhaço, mas com a leveza engraçada em seu tratamento com as outras pessoas. Ele já é famoso, conhecido publicamente por ser o melhor detetive do mundo, capaz de desvendar os maiores mistérios que assolam o mundo do crime. Logo no começo ele soluciona um problema que serve mais para conhecermos sua maneira de agir, e percebemos que estamos perante de um dos grandes personagens da literatura mundial. É um Poirot diferente do habitual, que temos na mente como o gordinho careca de bigodinhos finos, entretanto o Poirot de Branagh pode se tornar a nova lembrança que os leitores do futuro terão do personagem. 

Logo ele parte no elegante trem expresso que dá título ao livro, uma decisão tomada de última hora para tentar ficar longe das organizações e pessoas que vem a todo momento em seu alcance lhe pedir ajuda. Eis que durante a viagem ele recebe outro pedido de ajuda de Ratchett (Interpretado por Johnny Depp, com um personagem bem diferente de Jack Sparrow) que lhe confidencia que está sendo perseguido, mas Poirot nega sua ajuda ao deduzir que estava falando com um falsário. Numa noite, uma tempestade causa um deslizamento que atinge os trilhos e a locomotiva descarrilhado, os deixando presos em cima de uma ponte. Na mesma noite há o esperado assassinato, tirando Poirot de suas férias para desvendar o mistério: quem matou? Como matou? E por que matou? Mas quanto mais ele se aprofunda no caso, mais ele percebe que esse é um dos crimes mais intrincados de sua carreira como detetive.


Há algumas cenas de ação, perseguição e humor, colocados no filme para que não fique maçante. Afinal estamos acompanhando outra mídia e se fosse para ser totalmente igual era só ler o livro. Mas nada estraga a história, apenas a deixa mais dinâmica, com alguns personagens se tornando o suspeito principal, mas com reviravoltas atrás de reviravoltas o filme diverte e te prepara para o fim com muito suspense e ansiedade. Judi Dench está maravilhosa como a orgulhosa e prepotente princesa Dragomiroff, Willem Dafoe, Penélope Cruz e Michelle Pfeiffer tem personagens bem marcados por suas características, e os demais (Daisy Ridley, Josh Gad, geram ainda mais mistério para o público. Mas quem brilha mesmo é o nosso querido Hercule Poirot, que não deixa de elucidar o mistério numa cena típica de Agatha Christie: desvenda o assassinato no Expresso do Oriente na frente de todos. Espero as próximas histórias de Poirot.


sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

GODLESS


Nos sites especializados, o principal elogio feito para a série Godless que estreou no Netflix é a fotografia, que deixa bonito o empoeirado oeste americano do século IXX, escondendo o perigo que ronda essa região, com pistoleiros sanguinários e fugitivos obstinados. A sinopse chama a atenção, não creio que seja algo novo, mas em formato de série merece uma checada. Com apenas sete episódios, você se sente fisgado no primeiro, mesmo a história demorando um pouco a ser delineada na tela, mas antes que o episódio termine você percebe que está prosseguindo para o segundo capítulo e quando chega no fim, sente que poderia assistir mais. 

A trama se inicia te deixando com a pulga atrás da orelha, com um oficial da lei chegando numa cidadezinha que tivera todos os habitantes assassinados e perto da estação se encontrava um trem descarrilhado. Pouco nos é revelado nesse primeiro momento, e somos direcionados a cidade de La Belle dominada por viúvas de mineiros mortos numa explosão na mina que vitimou mais de oitenta homens, deixando as mulheres e alguns outros que não trabalhavam nas minas para cuidar da cidade.  O xerife Bill McNue está ficando cego aos poucos e já está com descrédito, e a população da cidade acredita que o motivo de seus infortúnios é culpa de Alice Fletcher, uma fazendeira próxima da região que pode ter amaldiçoado a região. Lá ela vive com a mãe do seu falecido segundo marido, uma índia xamã chamada Iyovi e o filho mestiço. Ela tem dificuldades de manter a fazenda e criar os cavalos, mas tudo muda quando um estranho forasteiro bate à sua porta, e notícias de que o sanguinário Frank Griffin está à caça de um de seus homens que o havia roubado.


Lógico que as histórias estão conectadas. Griffin está roubando minas por todo o Oeste e destruindo cidades no caminho, e não perderá a oportunidade de conhecer a cidade controlada por mulheres e que de quebra guarda seu precioso foragido. É faroeste puro que vai agradar ainda mais quem já gosta dos antigos filmes de John Wayne, Clint Eastwood entre outros. O legal da série é que ela mata a sua saudade do gênero bem rápido. A poeira deixada pelo trotar dos cavalos, mulheres fortes fazendo o papel anteriormente relegado aos homens, histórias inacabadas do passado sendo resolvidas com sangue, cobras venenosas, perseguições e até trem sendo roubado. A grande maioria dos Western estão no passado, e ter acesso a esse novo material pode fazer uma pessoa relembrar clássicos, e também o mais importante, fazer pessoas que desconhecem esse filão a se aventurarem nesse estilo que pode ter ficado para trás, mas volta e meia é revisitado. Era uma vez no Oeste, Três homens em conflito, Rastros de ódio, O tesouro de Sierra Madre, Meu ódio será sua herança, entre tantos outros bons filmes, estão a espera sua redescoberta.


Houve uma comoção na internet devido a série ter mais de 70% de falas masculinas mesmo tendo como pano de fundo uma cidade dominada por mulheres, mas estamos falando de faroeste, que é dominado por homens, e confesso que o público alvo ainda é masculino. Resta saber se uma série desse tipo seria bem-vinda pela maioria das mulheres que compensasse numa produção. O tempo dirá e torço para que algo ocorra no futuro.  Mas note que a série tem muito feminismo em seu escopo. Outro tema abordado é o fato do Oeste ser considerado uma terra sem lei e sem Deus, fatos que Griffin não nos deixa esquecer, com suas teorias e modo de pensar que remetem ao título. Conforme todos os filmes do Velho-Oeste que assisti, ter fé em Deus e andar armado sem medo de atirar era sempre melhor para viver nessa região do que apenas só ter fé.

O elenco em si é de primeira, chamando nossa atenção para o fato do vilão ser interpretado por Jeff Daniels, mais conhecido como o Loyd da dupla aloprada com Jin Carrey, agora com barba branca e sem braço, liderando um bando de criminosos e destoando de seu personagem cômico. Já os protagonistas são Jack O'Connell como o fugitivo Roy Goode, com muita história em seu passado escondendo suas motivações, e a bela Michelle Dockery como Alice, que vive num misto de injustiça e azar, mas que tem força para encarar qualquer criminoso. Ainda sobra espaço para outros personagens, que ou ajudam ou atrapalham Alice e Roy Goode. Tiroteios, sangue e terra quente não faltam nesses episódios, que ultrapassam 1 hora cada. Uma boa porta de entrada para o mundo do faroeste. Recomendo.

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

MINDHUNTER


Mindhunter não é uma série de serial killer habitual, mas podemos considerar uma das melhores séries sobre o gênero. Diferente do convencional, ela foge da necessidade gráfica de mostrar as mortes engendradas pelos assassinos em série e se aprofunda na psique estranha e conturbado dos assassinos, de uma forma tão interessante que nossa imaginação nos faz vislumbrar as coisas terríveis que são narradas, o que é ainda mais perturbador do que se víssemos o que ocorreu. Uma olhadela rápida na internet revela que o criador da série Joe Penhall se baseou no livro escrito por dois agentes do FBI que entrevistaram esses violentos serial killers e são retratados no seriado, por isso Mindhunter é mais assustador do que os filmes do gênero, e o verdadeiro terror está nas entrelinhas.

O caçador de mentes do título é o agente Holden Ford que, em 1977, decide estudar a mente de psicopatas para entender suas maneiras de pensar, mesmo que para isso ele tenha que passar dos limites impostos pelos seus superiores. É colocado como seu parceiro o agente mais experiente Bill Tench, que junto com seu novo parceiro se encaminham para vários distritos policiais e fazem palestras e dão aulas de como agir ou investigar crimes sem explicação.  Em um caso normal de homicídio há uma razão é um suspeito próximo a vítima que ajuda na investigação, mas nos casos de assassinatos em série não há uma explicação comum, apenas um modo de agir em série e a perturbação mental de um indivíduo que não é relacionado diretamente à vítima, o que dificulta a investigação. A dupla de agentes começa a entrevistar os assassinos presos e analisar sua forma de pensar e tentar descobrir como interpretar sinais de psicopatia. Enquanto entrevistam e seguem para as várias cidades, polícia local lhe indicam crimes em curso para serem estudados.


A história é bem contada e bem dirigida por ninguém menos que David Fincher, que junto com nomes como Charlize Theron, também é produtor, e sua direção faz com que trabalhemos nossa mente, omitindo partes importantes da trama que são desenhadas em nossas cabeças. O canal do You TubeEntre Planos” mostra bem no vídeo “O que Mindhunter não mostra” essa forma de contar o que está acontecendo sem mostrar nada. O elenco está muito bom, com a dupla de investigadores fazendo história, em sentido literal, pois são representações dos dois agentes autores do livro em que a série se baseia. Jonathan Groff é Holden, que busca mostrar novas maneiras de encarar os psicopatas para uma maioria antiquada de policiais, e Holt McCallany é Bill, mais respeitado e diplomático. Lembram em muito os personagens principais de Seven, também dirigido por David Fincher, e que possui muitas semelhanças além do enredo, como o jeito de contar a história, te mostrando as consequências e não ações.

A vida de Holden se desenvolve e seu comportamento vai amadurecendo, e podemos perceber que as histórias contadas pelos insanos assassinos vão alterando a forma do protagonista pensar, seja de maneira benéfica ou não. Em muitos momentos da trama somos direcionados à fatos ocorridos na época em que ocorre a história, o que é bem bacana, e o assassino Charles Manson é relegado novamente ao estrelato, citado várias vezes como um exemplo ou simplesmente como válvula de escape para policiais poderem revelar o que fariam com serial killer se o tivessem nas mãos. Mas os criminosos que conhecemos na série podem ser tão ou mais amedrontadores do que Manson. Em especial Edmund Kemper interpretado de forma genial pelo grandalhão Cameron Britton, que primeiro matou e depois estuprou suas vítimas, uma delas sua mãe, e ainda esquarteja e termina seu “ritual” fazendo sexo com as cabeças decepadas. O que mais chama a atenção é não reconhecer num primeiro momento a fera que cometeu esses atos em Kemper, e ainda assim nos sentimos desconfortáveis quando suas algemas são retiradas para dar as famosas entrevistas à dupla do FBI


Já os casos que vão ocorrendo paralelamente às entrevistas e aulas que Holden e Bill vão dando aos policiais em cada distrito que visitam, são aterradores e servem para ilustrar o quão necessitado o FBI estava em achar um modo de identificar esses potenciais assassinos. Um personagem, que não é ligado à trama principal, nos dá a dica de o quão comum pode ser um serial killer, da mesma forma que suas ações podem entregá-lo se for analisado a fundo, mas como fazer isso com bilhões de pessoas sem motivos para matar e milhares de assassinos em potencial. Não é novo termos investigadores utilizando experiências de psicopatas presos para pegarem outros que estão dando trabalho, Silêncio dos Inocentes é um bom exemplo disso, mas as entrevistas, que são reais, tem um objetivo mais abrangente do que prender um assassino. Como já citei, se você curtiu Seven irá adorar Mindhunter.

terça-feira, 21 de novembro de 2017

O JUSTICEIRO


Depois de algumas séries e temporadas não tão boas quanto sua produção inicial, onde o Demolidor recebeu elogios e foi um grande sucesso, e as demais séries desse projeto foram no embalo, sendo que em 2017 teríamos o pior ano desse projeto, se não fosse a grata surpresa da série solo do Justiceiro. Igual ao Demolidor, nosso querido Frank Castle já teve algumas chances no cinema que não fizeram jus à sua fama nos quadrinhos, e olha que o filme Justiceiro: Em Zona de Guerra é bom, sendo a sua maior falha no vilão caricato. Mas o personagem teve sua última chance e faz igual ao Demônio da Cozinha do Inferno e nos apresenta a melhor série de herói (no caso dele um anti-herói) do ano e rivaliza com a temporada de estreia do Demolidor.

A história te prende do começo ao fim, os personagens são bem desenvolvidos, é violenta da maneira que uma história do Justiceiro deveria ser, seu passado é mostrado, sua vida é esmiuçada e conhecemos alguns coadjuvantes famosos das HQs do Castle. Depois de ser dado como morto após sua participação na segunda temporada da série do Demolidor (diga-se de passagem, é a melhor parte da série), Frank Castle está livre para agir e investigar mais sobre o esquema governamental que destruiu sua família. Para tanto ele faz uma estranha união com um hacker que também foi dado como morto e sofre os mesmos problemas do Justiceiro, só que sua família está viva e sofrendo sua perda. Para quem conhece as HQs fica fácil de reconhecer o personagem Micro, aqui com uma história mais aprofundada do que nos quadrinhos. E a trama segue com Frank descobrindo cada vez mais sobre o passado nebuloso de seu tempo como fuzileiro e os culpados pela morte de sua família.


A sub tramas são interessantes, o passado de Frank como soldado é bem trabalhada, os vilões são convincentes e tem ação e violência na medida certa. Até uma mensagem contra as armas está contida na história. O transtorno pós-guerra sofrido pelos soldados também é demonstrado, seja em reuniões de apoio, até nos problemas causados por um jovem soldado chamado Lewis. O elenco está ótimo, com a exceção da inexpressiva Amber Rose Revah que dá vida a Madani, cabeça na investigação policial que ocorre em paralelo a investigação de Frank. Parece que ela está lá apenas para fazer volume e realmente não tem carisma nenhum. Mas isso não estraga nada a história, e a dupla Jon Bernthal e Ebon Moss-Bachrach que interpretam Castle e Micro estão muito boas, com momentos de tensão e comédia em boas medidas. O legal de ter os personagens trabalhados numa série é o tempo que eles possuem para serem aprofundados, tanto sua história quanto seus aspectos psicológicos e de longe é o melhor tratamento que o Justiceiro já teve fora dos quadrinhos.

 A série dá fôlego ao projeto, ameaçado por notícias de que a Disney está montando seu próprio serviço de Streaming e concorrerá com o Netflix. Mas o Justiceiro é a que mais tem sangue, tiros e violência dessas séries Marvel / Netflix que ainda esbanjam cenas com sexo e linguajar adulto, que destoa da imagem da empresa familiar que abriga Mickey e companhia. Assistir o Justiceiro é notar que ele teve um tratamento adulto é louvável. Ele merece ser lembrado por essa série, e vê-lo numa segunda temporada seria ótimo, e quem sabe se reencontrar com Demolidor ou Wilson Fisk. Lembrando que sua HQ de estreia foi como o caçador de um certo cabeça de teia, além do Justiceiro já ter agido ao lado do Capitão América, já ter tentado assassinar Nick Fury e ser um pária do universo Marvel. Opções de participar de outras séries e filmes o personagem possui, e muito. A que irá dizer que treze episódios são demais, mas qual série do Netflix com a Marvel também não é? Assista que vale a pena.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

LIGA DA JUSTIÇA


Finalmente estreou nos cinemas o tão esperado filme da Liga da Justiça. Quem diria que iria no cinema assistir ao filme da Liga com mais vontade de rever a Mulher Maravilha do que conhecer os demais integrantes, e o melhor, se surpreendido ao ver o desempenho de um super-herói que você não esperava que ficaria tão bom. Lógico que agora fica aquela briguinha no Facebook entre Vingadores e a equipe da DC, onde os pontos negativos de um serão as armas do outro. Confesso que alguma coisa faltou, mas fiquei na expectativa da continuação do filme da Liga. Devido aos problemas enfrentados pelo diretor Snyder, que se afastou da produção para ficar com a família após o suicídio da filha, o diretor dos filmes dos Vingadores Joss Whedon foi chamado e é nítido onde um e outro trabalhou.

A história claramente começa onde o filme Batman X Superman terminou, com um mundo em luto pela morte do kriptoniano. Os tons escuros de Snyder refletem bem o que os humanos estão sentindo, ainda mais com os Parademons, alienígenas que são atraídos pelo medo, começam uma invasão gradativa ao planeta Terra. Nisso, Bruce Wayne e Diana estão tentando convocar outros super-humanos para enfrentar esses alienígenas, liderados por um conquistador milenar chamado Lobo da Estepe, um dos generais de Darkseid. Super forte, ele quer reunir as três caixas maternas para trazer seu enorme poder unificado, e para isso terá que enfrentar amazonas, atlantes e a recém-formada Liga da Justiça.


O Bruce Wayne de Ben Affleck está cansado, tentando enfrentar algo que é muito maior do que ele, e de longe é o Batman com mais traquitanas da história do cinema. Já a Mulher Maravilha esbanja carisma e continua roubando a cena. Gal Gadot merece elogios por nos apresentar nos cinemas de maneira perfeita o maior ícone feminino das histórias em quadrinhos. Agora os personagens Flash (Ezra Miller) e Aquaman (Jason Momoa) são as agradáveis surpresas do filme. Aquaman era um herói que chegou a ser ridicularizado nas HQs, e agora isso vai mudar. Já o Flash tira risos fáceis e está longe de ser o super-herói que salva o mundo e com certeza nos dá muito a imaginar sobre sua futura evolução nos universo DC. Está claro que a história e a quantidade de personagens atrapalham o tempo de tela de cada um, mas queria ter visto mais desses dois personagens. Fica para o filme solo dos dois. O time ainda conta com o Ciborgue, que ainda não mostrou à que veio e merece um melhor tratamento, quem sabe nós próximos filmes.


Após muitas críticas a DC tenta mudar o caminho de suas produções, tentando deixar mais leve e engraçado, mas isso não impede o filme de divertir, nem em transformá-lo em um filme da Marvel. A DC está trocando de fôrma, aprendendo com erros (Esquadrão Suicida) e acertos (Mulher Maravilha), e não utilizando o esquema da concorrente que também já saturou. Enquanto o padrão novo da Marvel é Os Guardiões da Galáxia e as aventuras espaciais, a DC aposta num novo estilo que está se desenhando, fugindo de Snyder e buscando alternativas. Podemos perceber isso no filme, onde o segundo ato é mais iluminado. A parte ruim é a pressa para as coisas acontecerem e fica evidente quanto do filme foi editado. Mas tudo é superado pela nossa alegria de ver nossos heróis preferidos em tela, reunidos para derrotar um inimigo que não hesita em dar porrada pesada na galera. A coisa é certa, a DC sabe fazer cenas de luta como ninguém. Muitas pontas soltas são deixadas e muito das teorias dos fãs quanto ao que ocorreria no filme serão explicadas apenas nas continuações. Dou um ponto positivo ao filme.



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